Olimpíada

Quem são as Prhyges, mascotes dos Jogos Olímpicos de Paris-2024

Escolha, de acordo com o Comitê Organizador, leva em conta aspectos históricos da França

Em vez de um animal, organizadores do evento apostaram "em um ideal"
Em vez de um animal, organizadores do evento apostaram "em um ideal" Foto : Divulgação Paris-2024 / CP

FALTAM 17 DIAS PARA OS JOGOS OLÍMPICOS DE PARIS-2024

A lista é grande e remonta a 1972, quando o pioneiro Waldi deu início a uma tradição olímpica de mascotes. O pequeno cachorro escolhido como símbolo dos Jogos de Munique foi sucedido por inúmeras figuras, algumas inesquecíveis como o ursinho Misha, dos Jogos de Moscou-1980. Em Paris-2024, a família vai ganhar um novo integrante, que desta vez, em vez de um animal, é, de acordo com a organização do evento, um ideal. O nome? Prhyges.

De acordo com Tony Estanguet, presidente do Comitê Organizador da Olimpíada, os barretes (gorros) frígios, vermelhos e de formato triangular, são muito significativos para a história do país por terem sido usados pelos manifestantes que ocasionaram a queda da Bastilha e se tornaram um símbolo da República Francesa. Os frígios fazem parte de toda a história da França e são comuns em todos os prédios do governos, em selos e em moedas do país. Da Revolução Francesa à Olimpíada, a figura vermelha é bordada com as cores da bandeira francesa, com o logo de Paris-2024 estampado na frente.

Aliás, a Cidade-Luz apresentou dois mascotes: a Phryge olímpica e a Phryge paralímpica, que apresenta uma prótese em uma das pernas como uma forma de estimular a inclusão social. Com o lema “sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe”, os mascotes se complementam para celebrar os atletas olímpicos presentes nas terras francesas.

Mesmo que em Los-Angeles-1932 um cachorro de verdade chamado Smoky tenha sido chamado de mascote, e que haja registros de desenhos de uma pantera negra chamada Paloma nos Jogos da Cidade do México-1968, a figura pioneira foi a de Waldi, nos Jogos de Munique-1972. O pequeno cão da raça dachshund foi escolhido por ser bastante popular na Alemanha e por possuir características importantes para os atletas: resistência, tenacidade e agilidade. O projeto comercial do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi um sucesso e mais de dois milhões de Waldis foram vendidos ao redor do mundo.

Waldi, mascote dos Jogos de Munique-1976 | Foto: Divulgação / COB / CP

Quatro anos depois, em Montreal-1976, os canadenses seguiram o exemplo dos alemães. Desta vez, o animal escolhido foi o Amink, um castor, nativo do Canadá e associado à ideia de paciência e trabalho duro – pelo esforço que faz para construir as barragens onde vive.

No entanto, até Moscou-1980, nenhum mascote havia se tornado tão grandioso quanto o ursinho Misha. Na cerimônia de encerramento dos Jogos, o mascote russo surpreendeu a todos ao derramar lágrimas em um mosaico formado por placas coloridas. O intuito era pedir trégua às duas potências mundiais no período da Guerra Fria.

O ato do mascote, no entanto, não adiantou muito. Em Los Angeles-1984, os Estados Unidos não quiseram ficar atrás do sucesso de Misha e investiram pesado: contrataram os estúdios Disney para a criação do mascote. O animal escolhido foi a águia, ave nacional norte-americana. O nome, Sam, também tinha conotações patrióticas e remetia ao Tio Sam, famoso personagem dos cartazes de recrutamento do exército americano. O esforço levou a um sucesso comercial, mas sem tirar o prestígio de Misha.

Ao longo dos anos, os mascotes olímpicos foram se modernizando junto com os Jogos. Na última edição do torneio, em Tóquio-2020, a mascote, apelidada Miraitowa, foi escolhida por uma votação apenas com estudantes do ensino básico em 2017. O nome é uma junção das palavras japonesas mirai (futuro) e towa (eternidade), que fez bastante sentido com o adiamento dos Jogos em razão da pandemia de Covid-19.

Mascote dos Jogos de Moscou-1980, o ursinho Misha é lembrado até hoje pela lágrima na Cerimônia de Encerramento | Foto: Divulgação COI / CP