Olimpíada

Rússia arrasa no tie-break e conquista ouro em Londres

Seleção brasileira de vôlei masculino perdeu de virada por 3 sets a 2 e ficou com a prata

Russos comemoram ponto na partida contra o Brasil
Russos comemoram ponto na partida contra o Brasil Foto : Kirill Kudryavtsev / AFP / CP
Parecia tranquilo no início, mas foi trágico. A seleção brasileira masculina de vôlei ficou com a medalha de prata após ser derrotada para a Rússia na final dos Jogos Olímpicos de Londres no tie-break. Em uma partida que durou mais de duas horas, o time brasileiro perdeu para o adversário por 3 sets a 2 neste domingo. As parciais foram de 25 a 19, 25 a 20, 27 a 29, 22 a 25 e 9 a 15.

O Brasil começou tendo domínio do jogo. Depois de abrir 2 sets a 0 e arrasar a Rússia, parecia que a vitória e a medalha dourada viriam. Porém, os russos buscaram e deram sinais de reação no terceiro set ao vencer os brasileiros por 29 a 27. No quarto período, a Rússia igualou ao fechar a parcial por 25 a 22. A virada veio no tie-break, quando os russos finalizaram em 15 a 9, decretando a conquista da medalha de ouro.

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Depois das mulheres do Brasil, que conquistaram o bicampeonato no sábado ao vencerem os Estados Unidos, os brasileiros tinham tudo para subir no ponto mais alto do pódio. Pela primeira vez, uma equipe masculina tinha chegado na final por três ocasiões seguidas. Mas a seleção brasileira perdeu e ficou com a prata, assim como em Pequim-2008. O ouro já tinha vindo em Barcelona-1992 e Atenas-2004. Com a derrota, o Brasil se tornou a primeira equipe a sofrer uma virada na final olímpica depois de estar vencendo por 2 sets a 0.

O jogo marcou a despedida de uma geração que conquistou todos os títulos possíveis desde 2001, quando começou a chamada Era Bernardinho. Com destaque para os três Mundiais (2002, 2006 e 2010), oito Ligas Mundiais (2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010) e duas Copas do Mundo (2003 e 2007). Além, é claro, do ouro em Atenas.

Giba, Serginho, Dante, Rodrigão e Ricardinho estavam lá em 2004. O primeiro já avisou que Londres marca sua despedida da seleção. O mesmo deve acontecer com Rodrigão e Ricardinho, que voltou a ser convocado após anos de ausência. Serginho ainda não decidiu seu futuro. O único que deve continuar é Dante.

O jogo

Brasil e Rússia chegaram na decisão com a mesma campanha, seis vitórias e uma derrota. No caso dos russos, o revés foi justamente para os brasileiros, por 3 sets a 0. Os brasileiros começaram bem, aproveitando os contra-ataques. Do outro lado, a Rússia cometia muito erros. Depois de fazer 3 a 0, a seleção abriu 5 a 1. Os brasileiros aproveitaram as falhas russas e aumentaram a vantagem para 11 a 6. Com o levantador Bruninho distribuindo bem o jogo, o Brasil atacava com extrema eficiência. Aliado a esse bom fundamento, os brasileiros defendiam quase todos os ataques russos e ainda usavam o bloqueio para amortecer as fortes pancadas dos gigantes russos. Com isso, fecharam a parcial em 25 a 19.

O segundo set começou equilibrado, com a Rússia saindo na frente, mas foi aí que apareceu outro bom fundamento brasileiro: o saque. Com ace de Dante e dificultando a recepção dos russos, o Brasil tomou a dianteira ao virar para 8 a 4. Substituto do lesionado oposto Leandro Vissotto, o jovem Wallace fazia uma boa partida, tanto no ataque quanto no saque.

Preocupado, o técnico russo Vladimir Alekno realizava diversas alterações na sua equipe a fim de tentar mudar o rumo da partida. Em vão. Inspirado, Dante se agigantou no segundo set, com saques importantes e bons ataques. Do lado da Rússia, o oposto Maxim Mikhaylov estava longe das suas melhores atuações. O Brasil administrava a vantagem, mas acabou permitindo uma reação russa ao desperdiçar ataques: 16 a 15. A seleção, no entanto, só deixou que os rivais encostassem no placar. Com dois bloqueios, um de Murilo e outro de Lucão, o Brasil abriu nova vantagem e, com uma atuação impecável fechou a segunda parcial em 25 a 20.

No terceiro set, o equilíbrio permaneceu e, pela primeira vez, os russos foram para o primeiro tempo técnico na frente: 8 a 7. Mas o Brasil soube manter a tranquilidade e fez 13 a 10. A Rússia, no entanto, não se entregava e empatou em 15 a 15. Novamente, com calma e ace de Lucão, a seleção fez 18 a 15. Mas os russos não desistiam e empataram em 22 a 22. Após pedido de tempo do técnico Bernardinho, o Brasil ficou na frente, teve dois match points, porém acabou desperdiçando. A Rússia aproveitou as falhas e venceu a parcial por 29 a 27.

No quarto set, Giba veio para a partida no lugar de Dante, que acabou se lesionando. E o equilíbrio, que se transformou na tônica do jogo, continuou. Com dois excelentes saques do central Sidão, o Brasil fez 6 a 4. Em seguida, em erros brasileiros, a Rússia virou para 7 a 6. Em erro de Wallace, os russos largaram em vantagem e marcaram 12 a 10. A seleção não se desesperou e empatou. Mas a Rússia, com confiança no saque, abriu 16 a 12. Bernardinho sacou o experiente Giba, que não entrou bem no jogo, e colocou Thiago Alves. Em seguida, Ricardinho e Rodrigão entraram pela primeira vez na partida. Mostrando a equipe vencedora que é, a seleção buscou uma reação, mas foi tarde demais. Os russos fecharam em 25 a 22.

No tie break, Dante voltou para o sacrifício e a disputa seguiu completamente acirrada. A Rússia saiu na frente com 2 a 0, o Brasil reagiu, mas os russos fizeram 6 a 3. Ao contrário do início da partida, a seleção parou de virar os contra-ataques, enquanto o adversário passou a defender muito bem os ataques brasileiros. No tempo técnico, o placar marcava 8 a 4 para a Rússia. Com um jogo muito mais intenso, e sem muitos erros, os russos abriram 10 a 5. Com tranquilidade, a Rússia foi levando o set decisivo ponto a ponto até garantir a conquista do ouro e impedir o tricampeonato brasileiro.

Com informações da Lancepress

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