Olimpíada

Ryan Lochte pede desculpas por sua conduta no Rio

Nadador norte-americano teria sido o mentor da história do falso assalto

Ryan Lochte pede desculpas por sua conduta no Rio
Ryan Lochte pede desculpas por sua conduta no Rio Foto : Martin Bureau / AFP / CP
O nadador americano Ryan Lochte, que havia denunciado ter sido assaltado junto a outros três companheiros de equipe durante os Jogos Olímpícos do Rio-2016, um episódio desmentido pela polícia posteriormente, pediu desculpas nesta sexta-feira por seu comportamento em uma mensagem publicada no Twitter.

"Gostaria de me desculpar por meu comportamento na semana passada, por não ter sido mais cuidadoso e mais franco ao descrever os incidentes daquela madrugada", escreveu Lochte, lamentando que tenha se convertido no centro das atenções "quando muitos atletas estão alcançando seu sonho de participar de Jogos Olímpicos.

O comunicado de Lochte foi divulgado depois que o atleta foi alvo de muitas críticas por ter provocado uma enorme e desnecessária confusão no maior evento esportivo do planeta, uma competição acompanhada por bilhões de pessoas no mundo inteiro.

Lochte disse ter esperado até agora para se pronunciar porque queria ter certeza de que os outros três nadadores que estavam com ele naquela noite - Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen - estariam livres para deixar o Brasil.

O nadador, que tem 12 medalhas, incluindo um ouro no revezamento 4x200 estilo livre nos Jogos do Rio, havia alegado ter sido assaltado junto aos seus três companheiros de equipe por um homem disfarçado de policial ao voltar de táxi de uma festa na Casa da França.

A alegação forçou os organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio a fazer um pedido de desculpas pela suposta falha na segurança.

Posteriormente, a polícia informou que vídeos do circuito interno de um posto de gasolina mostravam um segurança sacando uma arma para conter Lochte, que estava bêbado e agressivo, e seus colegas depois que eles tentaram ir embora após vandalizarem o banheiro do local.

O atleta de 32 anos, no entanto, classificou o incidente de "traumático". "É traumático estar na rua tarde da noite com seus amigos em um país estrangeiro - com a barreira da língua - e ter um estranho apontando uma arma na sua direção e exigindo dinheiro para deixar você ir embora", contou.

"Estou muito orgulhoso de representar meu país nos Jogos Olímpicos e esta foi uma situação que poderia e deveria ter sido evitada. Eu assumo a minha responsabilidade por meu papel neste acontecimento e aprendi algumas lições valiosas", completou.



O suposto assalto

Na última quinta-feira à noite, o procedimento foi encaminhado ao Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos da Região Olímpica da Barra da Tijuca. Na oportunidade, James Feigen, acompanhado de advogados, foi apresentado a uma juíza pelos delegados Clemente e Braune Marcelo Carregosa.

Na audiência, Feigen aceitou a proposta penal, que foi homologada pela juíza, com a condição de que ele pagasse R$ 35 mil a uma instituição assistencial.

De acordo com a polícia, Ryan Lochte não compareceu, pois já havia deixado o país na última segunda-feira. Os nadadores John Conger e Gunnar Bentz também já deixaram o país, depois de terem seus passaportes devolvidos pela Justiça.

A versão inicial do assalto foi dada pelo atleta Ryan Lochte a um jornal dos Estados Unidos. Segundo o relato, ele e os colegas Gunnar Bentz, Jack Conger e James Feigen saíam de uma festa na Lagoa, zona sul do Rio, quando foram abordados em uma falsa blitz e assaltados por homens armados.

Ontem, Conger e Bentz prestaram depoimento e desmentiram a versão do colega. O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (Usoc, sigla em inglês) pediu desculpas ao Rio de Janeiro e aos brasileiros pelo incidente causado pelos nadadores norte-americanos.