Olimpíada

TAS rejeita apelação e atletismo russo não disputará Jogos Olímpicos 2016

Decisão é "política" e "sem fundamentos jurídicos", denunciou o ministro russo dos Esporte

TAS rejeita apelação e atletismo russo não disputará Jogos Olímpicos 2016
TAS rejeita apelação e atletismo russo não disputará Jogos Olímpicos 2016 Foto : Fabrice Coffrini / AFP / CP
O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) anunciou nesta quinta-feira ter negado a apelação do Comitê Olímpico Russo (COR) e de 68 integrantes do atletismo russo que pediam para participar dos Jogos Olímpicos-2016, após a suspensão imposta à Federação Russa de Atletismo pela Federação Internacional (IAAF), no âmbito de um escândalo de doping.

"O júri do TAS confirma a validade da decisão da IAAF segundo a qual os atletas e a federação nacional (russa) ficam suspensos e não podem ser selecionados para as competições sob a organização da IAAF", declarou o TAS.

Segundo o TAS, o COR segue "habilitado para selecionar como representantes da federação da Rússia para os Jogos Olímpicos os atletas que completarem os critérios e forem selecionáveis para competir segundo (o regulamento) da IAAF".

Os três juízes do TAS também estimaram que não eram competentes para determinar se os atletas russos selecionados deveriam se inscrever "como representantes da Federação da Rússia ou como atletas neutros".

A IAAF reagiu imediatamente à decisão através de seu presidente Sebastian Coe, que agradeceu pelo apoio do TAS às regras da IAAF e por ter criado "condições de competição com armas iguais entre os atletas".

O TAS, no entanto, se declarou chateado com a aplicação imediata com efeito retroativo da regra da IAAF, adotada em 17 de junho de 2016, que prevê critérios de seleção excepcionais para atletas cuja federação esteja suspensa.

Em virtude desta regra, apenas os atletas residentes no exterior ou que tenham se submetido a um sistema antidoping que não seja o russo podem ser escolhidos para participar. Isso permitiu repescar Klishina.

"Esta regra inclui critérios baseados em uma atividade anterior, não deixa praticamente nenhuma possibilidade aos atletas que haviam apelado para poder completá-las", disse o TAS.

Depois desta decisão do TAS, outra sentença mais global sobre a exclusão ou não da Rússia nos Jogos do Rio deve ser tomada até 27 de julho pelo Comitê Olímpico Internacional, que pediu um tempo para analisar a situação e esperar a decisão do TAS para contar com mais fundamentos ao basear sua própria determinação.

Na Rússia, os lamentos pela decisão se multiplicaram e a estrela do atletismo, Yelena Isinbayeva, afirmou que com esta decisão "enterraram o atletismo".

A decisão do Tribunal é "política" e "sem fundamentos jurídicos", denunciou nesta quinta-feira o ministro russo dos Esportes, Vitali Mutko. "Só posso expressar minha decepção. Vamos refletir sobre as próximas etapas. Do meu ponto de vista, é uma decisão subjetiva, bastante politizada e sem fundamentos jurídicos", declarou Mutko à agência de notícias russa TASS depois da decisão do TAS, que priva os atletas russos suspensos pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de ir o Rio (5 a 21 de agosto).

Para o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov a decisão que afeta os "atletas que não têm nada a ver com o doping", declarou à imprensa Peskov, considerando "pouco provável que a responsabilidade coletiva possa ser aceitável".