Olimpíada

Terrorismo deve ampliar articulação de inteligência para Rio-2016, diz embaixador

Governo garante que está fazendo "tudo aquilo que pode ser feito" para garantir a segurança

Governo garante que todas as medidas para evitar atentados estão sendo tomadas
Governo garante que todas as medidas para evitar atentados estão sendo tomadas Foto : Alex Ferro / Rio 2016 / Divulgação / CP Memória
Os ataques terroristas que ocorreram na última sexta-feira em Paris não aumentam os riscos à população ou a chefes de Estado no Brasil durante os Jogos Olímpicos do Rio 2016. No entanto, a tragédia intensifica a articulação entre os serviços de inteligência daqui e de outros países em um esforço de reforçar a segurança durante o evento, avaliou o embaixador Celso Amorim, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores.

"Eu acho que isso já estava havendo e acho que a tendência vai ser aumentar mesmo esse tipo de articulação e de coordenação. Isso muito provavelmente ocorrerá", disse Amorim, após participar de um evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.

Amorim lembrou que um ato terrorista durante a Maratona de Boston de 2013, nos Estados Unidos, fez aumentar a preocupação e articulação internacional sobre o esquema de segurança para a realização da Copa do Mundo, disputada no ano seguinte, no Brasil.

"Eu acho que funcionou bem na Copa do Mundo. Obviamente, eliminar os riscos 100% nunca existe. Mas não creio (em ameaça terrorista na Olimpíada)", avaliou o ex-ministro, que liderava a pasta da Defesa à época. "Claro que ninguém pode ficar confiando que Deus é brasileiro, que aqui não acontece nada. Mas também não creio que a possibilidade aumentou de uma maneira notável por causa disso".

O embaixador defendeu que o Brasil esteve atento a possíveis atos terroristas na Copa do Mundo e que fará o mesmo durante os Jogos Olímpicos. Segundo ele, esse tipo de evento não tem a mesma característica dos ataques ocorridos na França.

"Foi um evento justamente muito espalhado, não foi só direcionado. Embora um deles tenha ocorrido próximo de onde estava o presidente (François) Hollande, na realidade não teve alvo. O alvo foi o povo", declarou Amorim. "Eu tenho confiança que a Olimpíada aqui serão um sucesso como a Copa do Mundo, que, com exceção do lado de dentro do campo, foi um sucesso para nós".

Governo afirma que país “tem um excelente padrão” para garantir a segurança

Após os ataques terroristas em Paris, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira que o governo está fazendo "tudo aquilo que pode ser feito" para garantir a segurança durante os Jogos Olímpicos do Rio no ano que vem.

Segundo o ministro, o país vai repetir o modelo usado durante a Copa do Mundo do ano passado, já que o evento transcorreu sem maiores problemas. "Podemos ficar seguros que tudo aquilo que pode ser feito está sendo feito no Brasil para a segurança na Olimpíada. O êxito da segurança pública na Copa do Mundo se repetirá agora", disse.

Cardozo afirmou que as entidades brasileiras mantêm "constante ligação" com o serviço de inteligência de outros países para trocar informações sobre possíveis ataques terroristas e garantiu que o País tem um "excelente padrão" para garantir a segurança durante grandes eventos.

Por ser o principal evento esportivo do mundo, os Jogos Olímpicos já foram palco de atentados terroristas. O mais grave aconteceu em 1972, na Olimpíada de Munique, quando 11 membros da equipe olímpica de Israel foram mortos. Em Atlanta, em 1996, duas pessoas morreram e 111 pessoas ficaram feridas após a explosão de uma bomba próximo ao local de um show ligado aos Jogos.