Esportes

Operação Sindicasta: Justiça reconhece lavagem de dinheiro e amplia pena de ex-dirigente

Decisão em segunda instância elevou condenação para mais de 12 anos de prisão após reconhecimento de esquema para ocultar origem de recursos desviados

Mandados de busca e apreensão da Operação SindiCasta foram cumpridos em setembro de 2020
Mandados de busca e apreensão da Operação SindiCasta foram cumpridos em setembro de 2020 Foto : MPRS / CP

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) obteve uma vitória judicial em segunda instância no caso investigado pela Operação Sindicasta. A partir de recurso apresentado pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, o Tribunal de Justiça reconheceu a prática do crime de lavagem de dinheiro e ampliou a condenação do ex-vice-presidente da entidade sindical investigada, Jorge Ivo Amaral da Silva, para 12 anos, um mês e 13 dias de reclusão, em regime inicial fechado.

A decisão reformou parcialmente a sentença anterior, que havia absolvido o dirigente da acusação de lavagem de dinheiro. Com o novo entendimento, a Corte reconheceu que, além da apropriação indevida de recursos da entidade, houve também a tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores por meio de movimentações financeiras realizadas através de outra instituição, conferindo aparência de legalidade ao dinheiro desviado.

Segundo as investigações, mais de R$ 8,4 milhões foram retirados irregularmente da entidade entre 2015 e 2020. Os valores teriam sido transferidos para contas pessoais e estruturas ligadas ao então dirigente, sem justificativa.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava de forma continuada e envolvia diversas operações destinadas tanto ao desvio dos recursos quanto à dissimulação de sua origem. O reconhecimento da lavagem de dinheiro ampliou a responsabilização criminal pelos fatos e resultou no aumento significativo da pena aplicada.

A Operação Sindicasta teve origem em apurações sobre a gestão financeira da entidade sindical e revelou movimentações consideradas incompatíveis com a finalidade institucional do sindicato. Durante a investigação, foram identificadas transferências milionárias e operações financeiras que levantaram suspeitas sobre o destino dos recursos arrecadados.

As investigações, iniciadas em 2020 pelo promotor de justiça Flávio Duarte na esteira do caso envolvendo desvios do Inter na gestão do então presidente Vitorio Piffero, entre 2015 e 2016, foram reveladas pelo Correio do Povo.

Com a decisão de segunda instância, o ex-dirigente passa a responder pelas condenações de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. O caso é considerado uma das principais investigações recentes envolvendo supostos desvios de recursos de entidades sindicais no Estado.