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Os sonhos e expectativas das futuras estrelas do tênis mundial que disputam a Brasil Juniors Cup em Porto Alegre

Antiga “Copa Gerdau”, torneio reúne os principais jogadores do circuito do tênis juvenil

Noah Jonhston segue os passos dos pais, mas ainda não sabe se vai ser um tenista profissional
Noah Jonhston segue os passos dos pais, mas ainda não sabe se vai ser um tenista profissional Foto : Luiz Cândido/CBT

A Associação Leopoldina Juvenil tem sido, desde o dia 17 de fevereiro, o ponto de encontro de alguns dos melhores tenistas do mundo na categoria 18 anos. Até o dia 23, o clube sedia a Brasil Juniors Cup, um dos torneios mais importantes do circuito juvenil de tênis. Esta edição tem sido considerada a com o padrão mais alto que o torneio já apresentou, contando a presença de atletas que figuram no Top 10 do ranking mundial juvenil. Mas mais do que a modalidade em si, o torneio é rico em histórias daqueles que podem se tornar os principais atletas da modalidade num futuro próximo.

A competição já contou com inúmeros atletas que despontaram no circuito profissional como Carlos Alcaraz, Gustavo Kuerten, Bia Haddad, Thomas Muster, Andy Roddick e mais recentemente, João Fonseca. Sempre marcada pela presença de atletas dos mais diversos países do mundo, esta edição não tem sido diferente, com representantes de mais de 15 países. O Correio do Povo foi à ALJ e conta algumas destas histórias de quem veio de longe em busca de um título em terras gaúchas.

ENTRE A FACULDADE E AS QUADRAS

Para muitos dos atletas, a Brasil Juniors Cup marcou também a primeira viagem ao Brasil. E em se tratando do torneio, a última, já que estão disputando a categoria 18 anos. Ou seja, é o último ano de vários no circuito juvenil. É o caso, por exemplo, dos norte-americanos Noah Johhnston e Jacob Olar. Ambos costumam viajar juntos para as competições internacionais desde os 12 anos.

Olar possui uma ligação com o tênis diferente dos demais. Seus pais não praticavam o esporte e nem tinham qualquer relação com a modalidade. O encantamento surgiu quando novo. Aos 10 anos, passou a levar o esporte mais a sério. “Quando comecei a disputar competições maiores, me mudei para a Flórida para poder ter mais oportunidades de disputar torneios internacionais” comenta.

Aos 18 anos, o garoto disputou recentemente o Australian Open juvenil, onde fez seu melhor resultado nos majors juniors, indo até às quartas de final. Agora, em seu último ano juvenil, o próximo passo antes do circuito profissional será a faculdade, mas o sonho de ser tenista segue. “Eu já disputei todos os Grand Slams juvenis e já disputei os 4 majors. Eu vou para faculdade no outono, e depois disso pretendo fazer a transição para o profissional, jogar um pouco no universitário. Ainda não sei qual faculdade, mas saberei logo.”

NOS PASSOS DOS PAIS

Diferentemente do seu conterrâneo, Noah Johnston cresceu no mundo do tênis. Natural de Anderson, Carolina do Sul e filho de ex-tenistas profissionais, o garoto começou a segurar a raquete aos dois anos. Depois disso, nunca mais soltou. Começou a competir desde cedo, mas ainda não jogou nenhum Grand Slam juvenil. ”Ainda não disputei nenhum Grand Slam junior. Estou na busca ainda de tentar conseguir competir, o meu foco agora é tentar disputar o Roland Garros,” disse.

Apesar de ter apenas 17 anos e ainda um ano de circuito juvenil, já pensa na universidade e, posteriormente, em disputar o circuito universitário americano. “Ano que vem eu vou para a universidade de Georgia nos Estados Unidos, esse é o plano. Adoraria ser tenista profissional e seguir os passos dos meus pais, mas é um processo, seguir melhorando e esperar o melhor do futuro” comentou.

Aos 16 anos, Jack Kennedy carrega consigo o favoritismo na Brasil Juniors Cup | Foto: Luiz Cândido/CBT

O PRODÍGIO DE NOVA YORK

Um dos favoritos ao título do torneio em Porto Alegre, Jack Kennedy veio de Long Island, Nova York. O atleta pratica o esporte desde os cinco anos, apresentado pelo seu pai. Apesar de conterrâneo de nomes como Andre Agassi e Pete Sampras, a inspiração está em outro continente: o espanhol Rafael Nadal.

Em quadra, é considerado um prodígio. Desde os 14 anos, já competia pela categoria 18 anos. Hoje, aos 16, não apenas segue jogando em pé de igualdade com os mais velhos, como na Brasil Juniors Cup é o cabeça de chave número 1 do torneio.

Considerado uma das promessas do tênis dos Estados Unidos, carrega o favoritismo em terras gaúchas. Entre os especialistas, é considerado o favorito para levantar a taça na ALJ. “Acho que quando todo mundo vê as chaves e vê ali o número 1, o favorito do torneio, eles esperam que tu vá longe, que vá ganhar”, disse. No entanto, Kennedy tenta não absorver a pressão e sim focar somente nas próximas partidas. “Para mim é diferente. Não tenho essa visão, a minha expectativa é fazer um bom jogo”, pontua o número 9 do mundo.

O norte-americano enfrenta algumas consequências da vida de atleta, como conciliar os torneios e os estudos. Atualmente, está no segundo ano do ensino médio e quando disputa campeonatos como a Brasil Juniors Cup, a tendência é os estudos ficarem em segundo plano. “Eu estudava presencialmente até o ano passado, mas depois ficou inviável, agora, estudo online, então tem que manter o equilíbrio. É realmente difícil, mas se aprende a lidar”, observa.

INTERESSE NAS EXPERIÊNCIAS LOCAIS

Cada um dos jovens que veio a Porto Alegre para jogar nas quadras da ALJ pensa, claro, em voltar com um troféu na bagagem. Mas há casos em que mais do que o símbolo de um título ou de uma performance, o que vale são as experiências adquiridas em terras até então desconhecidas.

Campeã europeia sub-16, a italiana Carla Giambelli, de 16 anos, disputa pela primeira vez o campeonato na capital gaúcha. Para ela, a melhor parte da viagem tem sido a estadia no Brasil. “Eu amo viajar o mundo competindo, é minha primeira vez no Brasil e eu estou adorando aqui. As pessoas são muito amigáveis então torna a experiência ainda melhor” comentou a italiana.

Para Carla, o objetivo na gira sul-americana é conseguir subir no ranking e, posteriormente, disputar seu primeiro Grand Slam: Roland Garros. Durante esse período, ela chegou às quartas de final de torneios no Paraguai e Lima, e pretende melhorar seu resultado na Brasil Juniors Cup.

Carla Giambelli | Foto: Luiz Candido/CBT

*Sob Supervisão de Carlos Côrrea