"Outras más notícias estão por vir", avisou nesta quinta-feira o presidente da Fifa, Joseph Blatter, no seu discurso de abertura do 65º congresso da entidade, em meio ao escândalo desencadeado pela detenção de sete dirigentes suspeitos de corrupção.
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"Os eventos de ontem (quarta-feira) causaram uma sombra sobre o futebol e sobre esse congresso", enfatizou o presidente, que fez um breve discurso de cinco minutos. "Não há lugar para a corrupção, de nenhum tipo", sentenciou o cartola, que ressaltou a necessidade de "ações imediatas para lutar contra as pessoas que causam dano ao futebol fora dos campos de jogo, onde não há um árbitro".
Blatter começou seu discurso dizendo que o futebol está passando por "tempos difíceis", repetindo os termos que usou na quarta-feira, na sua primeira reação ao escândalo, por meio de um comunicado.
O nome de Blatter não foi citado entre os envolvidos, mas muitos já pediram sua demissão, entre elas o francês Michel Platini, presidente da Uefa.
Era previsível que a Fifa voltasse às manchetes esta semana, afinal a entidade escolheria o seu novo presidente na Suíça — ou, mais provável, reelegeria Joseph Blatter para outro mandato. De fato a entidade foi protagonista, mas por outro motivo, bem pior. Uma ação orquestrada pela Justiça norte-americana prendeu sete dirigentes ligados à Fifa, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin.
Todos são acusados de crimes como extorsão, fraude e lavagem de dinheiro e, se condenados nos EUA, para onde devem ser extraditados, podem pegar até 20 anos de prisão. A Copa do Mundo do ano passado faz parte das investigações, mas até agora não se encontrou nenhuma irregularidade. Ao contrário, por exemplo, da Copa da África do Sul, em 2010, e a Copa América de 2016, nos EUA. Nesta, as investigações apuraram que as propinas ultrapassaram os R$ 400 milhões. A seguir, as principais questões sobre o caso.
Além do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, também foram detidos na Suíça outros seis dirigentes: Jeffrey Webb (vice-presidente da Fifa e presidente da Concacaf), Eduardo Li (membro dos comitês executivos da Fifa e da Concacaf), Julio Rocha (diretor de desenvolvimento na Fifa), Costas Takkas (adjunto do gabinete do presidente da Concacaf), Eugenio Figueredo (atual vice-presidente da Fifa) e Rafael Esquivel (membro executivo da Conmebol).
As acusações envolvem ainda os empresários Alejandro Burzaco, da Torneos y Competencias, Aaron Davidson, presidente da Traffic Sports USA, e Hugo e Mariano Jinkis, diretores do Full Play Group. Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol, é alvo de uma ordem de captura por parte dos EUA, que pediram sua extradição por “conspiração para articular intencionalmente, conduzir ou participar de atividades de crime organizado”.
"Outras más notícias estão por vir", avisa Blatter
Presidente da Fifa afirmou que suspeitos causaram vergonha e humilhação à entidade