Ele entrou na sala de coletiva com o rosto vermelho e as veias do pescoço pulsando, reflexo da intensidade da partida e do doloroso golpe sofrido no minuto final do duelo. Ao seu lado, o vice-presidente de futebol, Sandro Lima,exibindo olhos vermelhos e segurando as lágrimas, de seus 2 metros de altura "Quero agradecer as palavras do Sandro no vestiário. Foram palavras que emocionaram", disse Abel para abrir sua entrevista, destacando o choro de seus comandados, mas também a convicção de que luta não faltou.
"Os jogadores dignificaram a camisa do clube, jogaram com muita galhardia", enfatizou o técnico. Abel preferiu valorizar aqueles que entraram em campo e minimizou os muitos desfalques. Fred, Deco, Diguinho, Valencia, lesionados, e Carlinhos, suspenso, não puderam contribuir com o time. Mas o treinador relativizou o fato. "Mesmo com muitos desfalques, fomos amplamente superiores ao Boca. Não sei se a experiência deles fez diferença. Nossa defesa e meio de campo foram impecáveis, principalmente no primeiro tempo. Não quero desmerecer os que jogaram".
Nem mesmo a postura acuada no segundo tempo, quando recuou em excesso e cedeu campo a um adversário tecnicamente inferior que até se satisfazia com a derrota que levava a decisão da vaga para os pênaltis, foi razão para críticas. "O Boca jogava por uma bola. Meu goleiro não fez uma defesa o jogo todo. Eles foram muitos felizes no lance", disse Abel, em referência ao gol argentino saído de uma jogada rápida aos 45 minutos da etapa final.
Ainda que o gosto amargo de eliminação tão doída custe a sumir, o Fluminense reinicia do zero a caminhada ao topo da América com o mesmo vigor. "Vamos com muita força para o Brasileiro. Nós últimos anos estamos sempre na Libertadores, beliscando. Acreditamos que vamos chegar no grupo (de classificados) para a Libertadores novamente", prometeu Abel, que tem três dias para reagrupar a tropa e voltar à luta no domingo, contra o Figueirense, no mesmo palco da batalha perdida hoje.