Diferentemente das fases anteriores, não há saldo qualificado e o resultado não dá vantagem a nenhum dos time para o segundo jogo, na quarta que vem – simplesmente quem ganhar fica com a taça ou, se houver um novo 0 a 0, a decisão ficará para a prorrogação e, se for o caso, pênaltis. O novo campeão da América dará a volta olímpica no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Peñarol ignora Neymar e parte para cima
Nome por nome, o Santos tem um elenco melhor que o Peñarol. Mas os uruguaios tinham uma fanática torcida lotando o Centenário nesta noite. Azar é dos comentaristas, então. Empurrados pelos gritos – e pela fumaceira de Montevidéu – os comandados de Diego Aguirre partiram para cima desde o apito inicial. Além do clima, os uruguaios ainda contaram com a desajeitada defesa santista, que ao longo da primeira etapa, cedeu alguns buracos interessantes para os carboneros. O primeiro, aos 5, quando Rafael teve que dividir com Olivera, na pequena área, para evitar a conclusão. Contudo, o Santos tinha Neymar. Um tanto apagado, mas ainda assim, Neymar. O atacante apareceu aos 19, quando simulou uma falta e levou cartão amarelo. Respondeu com dribles no minuto seguinte e criou a jogada em que Alex Sandro disparou uma bomba da entrada da área e Sosa espalmou, meio que no susto, para escanteio. Na sequência, Bruno Rodrigo cabeceou no travessão. Sufoco em amarelo e preto em Montevidéu.
O Peñarol voltou a crescer aos poucos e empurrou os adversários para o campo de defesa – e rechaçando, no melhor estilo chutão, os contragolpes. Novamente passando a contar com bobeiras da zaga santista, os carboneros quase fizeram o Centenário explodir no fim do primeiro tempo. Aos 43, Guillermo Rodríguez apareceu às costas da defesa e cabecear para boa defesa de Rafael. No minuto seguinte, foi a vez do outro Rodríguez, Guillermo, surgir sem marcação na área. Ele tocou por cobertura e a bola caprichosamente saiu por sobre o travessão enquanto mais de 60 mil torcedores gritavam um forte “Uh” pelos pampas afora.
Na descida para o vestiário, Neymar – de fraca atuação – reclamou: “O árbitro está me intimidando, me ameaçou três vezes”. No mesmo embalo, Muricy Ramalho cogitou para a imprensa retirá-lo da partida e, assim, garantir a principal esperança para o segundo e decisivo confronto.
Santos amorna a decisão
Com 15 segundos de segundo tempo, o Peñarol já havia cruzado na área adversária. No entanto, a sorte sorriu para os brasileiros logo depois. Elano chutou de longe, a bola rebateu e se ofereceu límpida para Zé Eduardo. Na altura da marca penal, o atacante cortou para o meio e desferiu a conclusão, que só não entrou graças à eficiência de Sosa, que fez grande defesa. Sem afobação, o Santos tratou de amornar a final, mantendo a posse de bola e arriscando algumas subidas pelas pontas. Numa dessas, o mesmo Zé Eduardo quase marcou, após um cruzamento da esquerda. Ele cabeceou para baixo, no contrapé de Sosa, mas errou o alvo por centímetros – e acabou por acordar os donos da casa.
Em dois ataques consecutivos, aos 26 e 27, o Peñarol quase abriu o placar. Primeiro, Martinuccio tocou, após o bate-rebate da defesa, em cima de Rafael. Segundos depois, na boa jogada de ataque, Olivera desperdiçou a rara a chance de chutar livre de marcação na risca da grande área.
A pressão carbonera cresceu no final e chegou a dar resultado aos 40 minutos, quando Alonso balançou as redes e saiu para o abraço. Porém, em meio ao carnaval que já se transformava o Centenário, o assistente marca impedimento e anula a jogada, sacramentando o 0 a 0.
Libertadores – final
Peñarol 0
Sosa; González, Valdez, Guillermo Rodríguez e Darío Rodríguez; Corujo (Pacheco), Aguiar, Freitas e Mier (Estoyanoff); Martinuccio e Olivera (Alonso). Técnico: Diego Aguirre.
Santos 0
Rafael; Pará, Bruno Rodrigo, Durval, Alex Sandro; Adriano, Arouca, Danilo, Elano (Alan Patrick); Neymar e Zé Eduardo (Bruno Aguiar). Técnico: Muricy Ramalho.
Cartões amarelos: Martinuccio, Corujo, González; Neymar, Arouca
Arbitragem: Carlos Amarilla, auxiliado por Nicolas Yegros e Rodney Aquino (trio paraguaio).
Local: estádio Centenário, em Montevidéu;