*Com informações da Agência Estado
No seminário “Emprego do Ministério da Defesa na Segurança dos Jogos Rio 2016", o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, falou da necessidade de “adequação logística, trabalho rápido e preparação para novas tarefas”. Ele se referia aos dois novos pedidos que chegaram às Forças Armadas, a 44 dias da abertura dos Jogos e a 15 dias de todo o planejamento e início de operação estarem concluídos.
O primeiro foi feito pelo governo do Rio, para que os militares façam patrulhamento em vias públicas como as linhas amarela e vermelha, a TransOlímpica e a TransOeste, Além da avenida Brasil, 13 estações ferroviárias e o aeroporto Tom Jobim. O segundo foi encaminhado pelo Ministério da Justiça solicitando militares para executar missões que estavam a cargo da Secretaria Especial de Grandes Eventos, a exemplo da segurança às instalações onde os eventos serão realizados e onde os atletas estarão hospedados, interna e externamente, além da execução de atividades que seriam da iniciativa privada, como vigilância nos campos.
O repasse de funções irritou profundamente os comandos das Forças Armadas que estão “correndo contra o tempo” para corrigir o que está sendo chamado de “esqueletos de planejamento”. A competição trará ao Brasil cerca de 15 mil atletas de 206 países e centenas de autoridades.
Mesmo com as novas atribuições e apesar do tempo escasso, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que os pedidos serão atendidos porque a prioridade será dar “segurança máxima” aos Jogos. Até o momento, 38 mil militares trabalharão especificamente na segurança da Olimpíada em todo o País, sendo 18 mil concentrados no Rio de Janeiro. Ainda não houve decisão sobre o número suplementar de militares que será necessário para as novas atribuições. A ideia é que sejam deslocados para o Rio oito batalhões das três Forças, somando perto de 5 mil homens.
Ele salientou o respaldo que os militares adquiriram nos últimos dez anos, em que o Brasil recebeu eventos como Jogos Pan-Americanos, Jogos Miliares, Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude e Copa do Mundo. “Isso resultou em um acúmulo de conhecimentos e de capacidade de operação conjunta, mas também êxito na segurança desses eventos, fruto de um trabalho integrado da Defesa, Justiça, Segurança e Inteligência.”
Risco de terrorismo
O ministro da Defesa afirmou ainda que, naturalmente, preocupa o fato de o Estado Islâmico ter uma conta em português direcionada para o Brasil, como foi noticiado, mas há uma vigilância em relação a isso. “O Estado Islâmico preocupa em qualquer lugar, qualquer situação, qualquer evento, qualquer casa, qualquer família, bairro ou qualquer nação do mundo. A gente não pode lidar com aquilo que o EI representa porque ele evidentemente é uma ameaça à paz em qualquer país do mundo. O que nós podemos fazer é estarmos prontos para prevenir que ele chegue efetivamente a atuar e os encargos que dizem respeito à segurança, à inteligência e à defesa estão 100% em dia”, declarou Jungmann falando que a integração será uma das principais ingredientes para combater o terror.
O ministro do GSI, por sua vez, declarou que hoje não há elementos que provoque um salto do “nível de preocupação para o nível de alarme ou pânico” em relação ao terror. Segundo o general Etchegoyen, há uma trabalho de prevenção ao terrorismo e há uma integração com 113 agências de inteligência do mundo todo, reunidas em um centro de inteligência estrangeiro, que vai funcionar no Rio, agora. “Como estamos tratando de possibilidades, o terrorismo é uma possibilidade, como é uma possibilidade o crime comum”, acrescentou.
Ministro admite possibilidade de “lobo solitário”
A presença de um “lobo solitário”, segundo ele, é uma possibilidade também porque tem sido o modus operandi ao redor do mundo, como no episódio de Orlando, nos Estados Unidos, onde 50 pessoas foram mortas em uma boate gay. Segundo ele, ainda se discute se o que houve lá foi terrorismo ou perturbação mental.
“Nós temos gente assim no Brasil também, pois temos uma população de 204 milhões de pessoas. Mas não identificamos este tipo e ameaça especificamente”, afirmou ele, destacando que o trabalho de integração com agências internacionais ajudará na identificação deste tipo de problema, já que estas agências estão trazendo para o Brasil os detalhes, o modus operandi e a lista das pessoas que eles têm como suspeitas neste tipo de atividade.
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