Os 12 torcedores do Corinthians foram presos ainda dentro do estádio, durante o jogo que terminou 1 a 1. Todos tiveram de passar por um teste para detectar a presença de pólvora nas mãos. A embaixada brasileira em La Paz, capital da Bolívia, enviou nesta quinta-feira um agente consular e um advogado para Oruro, cidade distante 226 quilômetros, para prestar auxílio aos corintianos detidos.
Depois das investigações iniciais, a polícia boliviana resolveu indiciar os 12 torcedores, sendo que dois deles são acusados pela autoria do crime e os outros 10 teriam sido cúmplices - não foram identificados quais seriam os responsáveis por cada crime. Agora, eles serão levados a um juiz para que seja decidido se respondem o processo em liberdade ou se continuam presos na Bolívia.
"Estamos indiciando formalmente os 12 brasileiros pelo suposto crime de homicídio", anunciou a fiscal de investigação do Ministério Público da Bolívia, Abigail Saba, depois de ouvir o testemunho dos torcedores corintianos nesta quinta-feira na delegacia em Oruro. Ainda segundo a polícia boliviana, os dois acusados como autores do crime carregavam sinalizadores quando foram presos.
Vídeo mostra possível autor do disparo
O advogado do grupo afirmou que apenas dois dos doze corintianos haviam sido detidos com artefatos semelhantes ao que matou Kevin. E que estes ainda devem continuar na Bolívia para novos interrogatórios nesta sexta-feira. Nesta noite, o grupo foi transferido de camburão da delegacia para um local não informado.
Todos os torcedores se declararam inocentes. Há a suspeita de que o verdadeiro culpado não seja nenhum dos detidos e só faça a confissão e se entregue no Brasil. Na Bolívia, a revolta da população é grande e cidadãos de Oruro foram até a porta da delegacia para protestar e chamar os corintianos de “assassinos”. "Fomos bodes expiatórios. Todos sabem que não fomos nós. A escolha foi aleatória", afirmou um dos detidos à agência Lance.
De acordo com a investigação da polícia boliviana, o artefato que atingiu o torcedor não foi produzido na Bolívia e teriam sido transportados pelos corintianos do Brasil. Na madrugada de quarta para quinta-feira, uma testemunha declarou que o disparo do artefato foi acidental.
Um programa da TV boliviana analisou e identificou um possível autor do do lançamento do sinalizador naval. Em câmera lenta e ampliando a imagem, o apresentador mostra que um corintiano que solta o artefato aparece em outro lugar da arquibancada segundos depois, como se estivesse fugindo.
Confira o vídeo