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Por que Oscar não jogou na NBA? Entenda escolha que o fez negar EUA e se consagrar na Itália

Lenda do basquete brasileiro fez história em solo europeu sem jogar na maior liga dos EUA

Oscar continua até hoje como quem mais pontuou pela seleção brasileira
Oscar continua até hoje como quem mais pontuou pela seleção brasileira Foto : Gary Caskey/Reuter/CP Memória

Oscar Schmidt foi um dos maiores nomes do basquete brasileiro. Ele, que morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos, chegou a ser o maior pontuador da modalidade e disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos. O "Mão Santa" continua até hoje como quem mais pontuou pela seleção brasileira, com 7.693 pontos.

Entretanto, Oscar negou a NBA, a maior liga de basquete do mundo, nos Estados Unidos. Não foi falta de convite; em 1984, ele foi chamado pelo New Jersey Nets (hoje Brooklyn Nets), mas recusou a proposta. Naquela época, quem disputava a NBA não podia atuar pelas seleções nacionais, uma regra que o Mão Santa considerava prejudicial à representação do País.

Em entrevista concedida ao Estadão em 2024, Oscar relembrou a decisão. "Para mim, a seleção era a coisa mais importante que havia na minha vida. Por isso que falei não para a NBA", afirmou. Ele recordou a alegria de conquistar o ouro no Pan de 1987 em Indianápolis, destacando o desejo de ver os brasileiros comemorando. "Minha família torceu muito por mim e nunca falou onde queria que eu jogasse", completou.

Escolha pela seleção impactou prestígio

Na mesma entrevista, o ex-jogador analisou que a escolha pela liga americana prejudicava a seleção. "(A seleção perdeu prestígio) porque não tem dinheiro, os jogadores recusam a seleção para atuar na NBA", avaliou Oscar. Ele enfatizou que "a seleção não é para qualquer um. O atleta tem de querer jogar pelo Brasil".

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Carreira consolidada na Itália

Na época do convite da NBA, Oscar já estava consolidado no basquete italiano. Ele atraiu os holofotes do basquete mundial ainda antes, quando, pelo Sírio, de São Paulo, foi campeão do Mundial Interclubes de 1979. A conquista, junto do desempenho em Moscou-1980, chamou a atenção para o talento do brasileiro.

Oscar ainda deixou o Sírio rumo ao América do Rio, em 1982, mas, no mesmo ano, Bogdan Tanjevic, ex-técnico do time que havia sido batido pelo Sírio em 1979, procurou Oscar e o levou para o Juvecaserta, da Itália. Foram onze temporadas no basquete italiano. Depois de oito anos no Juvecaserta, Oscar jogou três pelo Pavia.

Apenas na Itália, Oscar anotou 13.957 pontos, que o tornaram o primeiro jogador a ultrapassar a marca de dez mil pontos no Campeonato Italiano. Em uma única partida, ele chegou a bater o recorde da época, com 66 pontos. Ao todo, Oscar disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos (Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996).

Conquistas e reconhecimento mundial

Medalhista de ouro no Pan-Americano de Indianápolis-1987, Oscar Schmidt ganhou títulos sul-americanos com a seleção brasileira masculina de basquete (1977, 1983 e 1985). Ídolo da modalidade no Brasil, ele conquistou três bronzes importantes para sua história: no Mundial das Filipinas-1978, Pan de San Juan-1979 e Copa América do México-1989.

Em 2013, Oscar foi eternizado no Hall da Fama do basquete, em Springfield, Massachusetts, nos Estados Unidos. Este reconhecimento veio mesmo sem sequer ter jogado uma partida na NBA, solidificando seu legado como um dos maiores atletas da história do basquete mundial.