Esportes

Por traumas e exposição, São Paulo deve manter Ney Franco

Técnico do tricolor paulista enfrenta resistência dos líderes do elenco

Ney Franco deve seguir no São Paulo
Ney Franco deve seguir no São Paulo Foto : Yasuyoshi Chiba / AFP / CP
O técnico Ney Franco não deve ser demitido pela diretoria do São Paulo, pelo menos até o fim da fase de grupos dessa Libertadores. O que o respalda, porém, não é o trabalho, mas sim o trauma das trocas de comando nos últimos anos, e o medo da cúpula de ser vista como culpada. No elenco, porém, aumentam as ressalvas com o técnico.

Ney Franco diz que o grupo está fechado, unido, mas enfrenta resistência dos líderes do elenco. Neste momento, os jogadores não estão na mesma sintonia de trabalho.

Após a derrota por 2 a 1 para o Arsenal, na Argentina, um novo atrito se fez. Durante o jogo, o veterano Lúcio, contratado para dar à equipe o perfil necessário na Copa Libertadores, foi substituído e não cumprimentou nem Ney Franco, nem colegas de equipe. Correu para o vestiário, e após o apito final foi o primeiro a entrar no ônibus, cerca de 30 minutos antes do elenco.

Lúcio não gostou nem da substituição, nem do resultado no Estádio Julio Grondona. O fato de não ter ficado no vestiário para ouvir o técnico e o capitão Rogério Ceni ao fim da partida é só mais um episódio que mostra a perda de comando.

Além da reação do defensor, os pontos que fazem com que a cada dia Ney Franco se distancie mais do grupo são as constantes mudanças de esquema e o modo de trabalho, que não agrada a todos. Líderes do grupo já mostraram insatisfação em outros momentos pela atuação discreta nos treinos e pela postura amena em momentos críticos.

Em Avellaneda, após a derrota, o diretor de futebol disse que não há qualquer possibilidade de troca no comando. O presidente Juvenal Juvêncio diz que ninguém se garante. Os discursos foram mantidos nesta sexta-feira, em São Paulo. O trauma pelas saídas de Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Paulo César Carpegiani, Adilson Batista e Emerson Leão são o que mais cansam e incomodam Juvêncio, a um ano do fim do terceiro mandato.

Como resultado, Ney Franco deve ficar. A diretoria não está satisfeita, assim como o técnico na autoavaliação, mas não quer passar novamente pelo processo que virou repetitivo entre 2010 e 2012. Juvenal, também, se vê exposto por tantos insucessos.

Caberá a Ney Franco, nas quase três semanas que tem até o dia 4 de abril, data do jogo contra o The Strongest (BOL), aparar as arestas com o elenco. De um jeito ou de outro, a diretoria não quer sacá-lo.


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