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Porto Alegre recebe Sul-Brasileiro de Golfe: entenda as regras e os segredos do esporte

Competição começa nesta sexta-feira no Porto Alegre Country Club e vai reunir grandes nomes da América Latina

Golfe
Golfe Foto : Felipe Gerlack / Especial / CP

A capital gaúcha será sede, desta sexta-feira até domingo, do 74ª Campeonato Sul-Brasileiro de Golfe IESA-BMW, no Porto Alegre Country Club (PACC). Dividido em diversas categorias, o evento promete reunir alguns dos melhores golfistas amadores da América Latina. “Estamos com uma alta expectativa para o torneio deste ano. Nosso campo, referência no golfe, está em ótimas condições”, avalia o presidente do Porto Alegre Country Club, Vinícius de Sottomaior Biffignandi.

Nessa quinta-feira, o Correio do Povo foi ao PACC para, acompanhado de especialistas na modalidade, entender a dinâmica do esporte, assim como algumas das estratégias utilizadas pelos atletas em busca de um melhor resultado na competição.

AS REGRAS

O golfe tem uma das regras mais fáceis de ser compreendida, pelo menos no seu nível mais básico. O objetivo é acertar a bola no buraco no menor número de tacadas. Os campos são compostos por 18 buracos que variam de acordo com a dificuldade, geralmente definida pelos terrenos – grama mais curta ou mais alta, caixas de areia, lagos – e pelas inclinações.

Cada buraco tem um número ideal, pré-determinado, para que a tacada final aconteça: o Par, que pode ser três, quatro ou cinco. Por exemplo, em um Par 4, espera-se que o golfista acerte o buraco em quatro tacadas, como se fosse o padrão. Se fizer em menos, estará abaixo do par. Se fizer em mais, acima do par. O ideal, claro, é sempre estar o mais abaixo do par possível. Da mesma forma como cada buraco tem um par, o campo tem o seu par, que é a soma de todos os buracos.

No caso do PACC, o Par do campo é 70. São 12 buracos de Par 4, quatro de Par 3 e dois de Par 5. Para cada número total de tacadas, há uma nomenclatura, todas tomando o Par como parâmetro:

  • 1 abaixo do Par – Birdie
  • 2 abaixo do Par – Eagle
  • 3 abaixo do Par – Albatroz
  • 1 acima do Par – Bogey
  • 2 acima do Par – Double Bogey
  • 3 acima do Par – Triple Bogey
  • Acertar em uma só tacada – Hole in one

O VENTO

Em um esporte no qual qualquer mínima diferença no ângulo da tacada implica em uma mudança de trajeto de vários metros, o vento tem papel essencial em cada jogada. Mesmo assim, não há uma medição oficial da velocidade ou da direção do vento durante a competição. Mais que isso, os atletas não podem utilizar-se de mecanismos que auxiliem neste sentido. Logo, o que vale é a observação e a experiência. Uma alternativa é aproveitar-se do cenário. Como os campos são geralmente emoldurados por várias árvores, convém olhar para elas e ver qual a direção e força do vento. Outra saída bastante comum é pegar um pouco de grama, jogar para cima e ver que direção ela toma.

Os golfistas que fazem sua participação no começo da manhã em geral levam alguma vantagem neste sentido, visto que é um horário onde geralmente há menos vento. Por outro lado, ainda mais em cidades como Porto Alegre, há o risco de ter mais orvalho no campo, o que pode modificar o alcance de uma tacada.

Cada buraco tem um número de tacadas ideal para ser finalizado, o chamado Par | Foto: Carlos Corrêa / Especial

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

O vento é um personagem quase sempre presente e esperado. A chuva, nem tanto. Ainda assim, as competições não são paralisadas em função de chuva. O jogo só é interrompido em caso de raios ou de uma chuva tão forte a ponto de inviabilizar a trajetória da bola pela grama.

OS TREINOS

Pode parecer que o golfe é um esporte que pouco exige do lado físico. Ledo engano. Tomemos como parâmetro as dimensões do campo do Porto Alegre Country Clube. Ao longo dos 18 buracos, são 6,1 mil jardas, o equivalente a 5,5 km. Uma partida pode durar até quatro horas e meia. E os golfistas cruzam todo esse percurso a pé, muitas vezes sob temperaturas na casa dos 30ºC. Também em função disso, não há tanta necessidade de um treino aeróbico, já que isso só causaria uma sobrecarga.

Head Pro do PACC, Vinícius Müller observa que a média de idade dos maiores nomes, em termos mundiais, baixou bastante nos últimos anos, justamente em função de uma maior exigência física. “Antes, havia vários jogadores acima de 40 anos. Hoje em dia, não se vê mais isso. O preparo físico mudou muitos, os jogadores batem muito mais forte", aponta.

Tanta exigência também cobra seu preço na forma de lesões. Neste aspecto, as áreas do corpo mais atingidas são a região lombar, o quadril e o ombro.

OS TACOS

De forma geral, os golfistas usam um conjunto que consiste em 14 tacos. Além da distância, também diferem-se entre si pela angulação, o que possibilita ao atleta uma tacada mais precisa de acordo com cada necessidade. Variam entre:

  • Driver – Para tacadas mais longas, em vários casos para o início de cada buraco.
  • Irons – Para médias distâncias, feitos geralmente de grafite.
  • Woods – Para tacadas mais longas, feitos de titânio.
  • Putter – Utilizado para tacadas mais próximas e precisas.
  • Sand-wedge – Utilizado para sair de bancas de areia.
Grama na região do green é cortada todos os dias para não ultrapassar os 3mm | Foto: Carlos Corrêa / Especial CP

A GRAMA

A imagem de que a grama de um campo de golfe é quase como um tapete beira a realidade. Não chega a tanto, mas é quase isso. Há terrenos diferentes, no entanto:

  • Tee – A área de onde é dada a primeira tacada de cada buraco. Somente na primeira tacada é permitida a utilização de um pequeno apoio, o tee, que mantém a bola acima do solo.
  • Fairway – A raia principal de cada buraco, tem a grama cortada mais baixa, entre 1 e 1,7cm
  • Rough – Área em torno do Fairway, tem uma grama mais alta que impacta na tacada, visto que entre o taco e a bola, geralmente também há grama. Tem entre 2,5 e 3cm.
  • Bunkers – Bancos de areia
  • Rios e lagos – Quando a bola cai neles, a jogada recomeça no seu limite de entrada, mas o golfista perde uma tacada
  • Green – A área próxima ao buraco. É onde a grama é mais rala. No caso do PACC, é utilizada a grama Bermuda Anã e a altura da grama é de apenas 3mm. Para tanto, é cortada todos os dias. Em alguns casos, mais de uma vez por dia. Também é utilizado um produto, o modus, que encolhe a grama.

ETIQUETA E DRESS CODE

A participação em um torneio de golfe deve obedecer a algumas tradições até mesmo em termos de vestimenta. O dress code consiste em algumas orientações ou restrições, depende por qual ângulo se interpreta. Para os homens, a orientação é pelo uso de golas polo ou apenas um pouco mais alta. Em locais mais frios, suéteres e pulôveres são comuns. Calça jeans não é permitido, apenas calças de sarja ou calças sociais. A camisa deve ser utilizada para dentro da calça (ou bermuda) e com cinto. No caso das mulheres, as regras têm sido um pouco mais flexíveis em busca de um público mais jovem. Assim, saias que antes precisavam ser abaixo do joelho têm dado espaço a modelos mais curtos, mas não convém exagerar.

Para além da vestimenta, há toda uma etiqueta no jogo em si. Como cada tacada acaba tirando um pouco de grama do lugar, todo golfista tem (ou deveria ter) por hábito colocar um pouco de terra no local depois de sua jogada. Da mesma forma, quando uma jogada acontece no banco de areia, após sua execução, é de bom tom utilizar um ancinho para apagar as pegadas e deixar a areia sem marcas. “O golfe é um jogo de cavalheiros. Já foi mais. Antes não precisava nem pedir para fazer esse tipo de coisa”, observa Müller.

O CAMPO DO COUNTRY CLUB

Ao longo de suas 6,1 mil jardas e 18 buracos, o campo do PACC tem como sua grande característica o desafio técnico. Se por um lado não é muito longo em termos de distância, por outro exige concentração, estratégia e perícia dos atletas. “É um campo muito técnico, com muito pouca margem de erro, como se fosse um xadrez”, explica Müller.

VALE UM CARRINHO

Há um desafio em jogo no 74ª Campeonato Sul-Brasileiro de Golfe IESA-BMW. Em um dos quatro buracos de Par 3, a organização do evento promete um carrinho de golfe para quem fizer um hole in one, ou seja, acertar o buraco na primeira tacada. Levando em conta que o veículo não sai por menos de R$ 75 mil, é um estímulo considerável.