O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Luis Segura, encerrou as especulações e garantiu, nesta terça-feira, que a Argentina não vai se retirar da Copa América, que será disputada nos Estados Unidos a partir desta sexta. O dirigente também assegurou que o Boca Juniors continua na Copa Libertadores.
"Não há nenhuma possibilidade de que a seleção não jogue a Copa América, que o Boca não jogue a Libertadores, nem que se deixei de jogar o que resta dos campeonatos. Não tenham dúvida de que no fim de semana vai ter futebol", afirmou o dirigente.
Na última segunda-feira, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, resolveu intervir na tumultuada eleição para a presidência da AFA, adiando o pleito, que deveria acontecer em 30 de junho, para daqui a 90 dias úteis (6 de outubro). O prazo pode ser prorrogado por mais 90 (15 de fevereiro de 2017).
Os dirigentes da AFA não aceitaram nada bem a interferência e, já na noite dessa segunda, enviaram carta à Fifa e à Conmebol informando o ocorrido. Para esta terça estava marcada uma reunião do Comitê Executivo da entidade argentina e a imprensa local especulava a possibilidade de um boicote tanto à Copa América Centenário quanto à Libertadores em forma de protesto.
Antes de tomar a decisão de intervir na AFA, Macri conversou por videoconferência com o presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, para entender as consequências da ação. Há o temor de que a Fifa repita o que fez em outras intervenções estatais em federações nacionais de futebol e suspenda a Argentina das competições internacionais, o que não aconteceria nas próximas semanas, de qualquer forma. Em comunicado, a Fifa disse que está "monitorando de perto" o caso.
Eleição polêmica
Em dezembro, a primeira eleição direta para presidente da AFA, em uma votação entre dirigentes de 75 clubes, foi marcada por um resultado inusitado: 76 votos e empate entre os dois candidatos. Cada concorrente teve 38 votos porque um dos eleitores incluiu duas cédulas no envelope, o que não foi detectado na apuração.
Competiam pela presidência da AFA Luis Segura, que está no cargo de maneira interina desde a morte de Julio Grondona, que ocupou o posto por 35 anos sem oposição interna. Seu adversário era Marcelo Tinelli, apresentador de televisão mais famoso do país e cartola do San Lorenzo. O resultado indica que um dos candidatos teria vencido por apenas um voto, não fosse a irregularidade. Os dois já desistiram do pleito.
Desde então, fortaleceu-se um movimento com principais clubes da Argentina, encabeçados pelos gigantes Boca Juniors e River Plate, que desejam criar uma nova liga nacional, que lhes gere maiores receitas e que seja independente da AFA. San Lorenzo e Racing também formam o "núcleo duro" da Superliga, que, dentre os grandes, só não conta com o Independiente. Esses clubes estão alinhados com Macri, que fez Daniel Angelici seu sucessor no comando do Boca.
Presidente da AFA descarta tirar Argentina da Copa América após intervenção
Macri resolveu interferir na eleição da Associação do Futebol Argentino adiando a data do pleito