O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Wolfgang Niersbach, renunciou ao cargo nesta segunda-feira, em meio ao escândalo das suspeitas de corrupção na escolha do país para sediar a Copa do Mundo de 2006. Ele fez questão de ressaltar, entretanto, que "não fez nada errado".
"Eu me dei conta de que chegou a hora de assumir a responsabilidade política", declarou o dirigente, ao final de uma reunião realizada na sede da entidade, em Frankfurt. "Adoro o futebol e esta federação. Para proteger a DFB, deixo a presidência com o coração pesado", acrescentou.
Niersbach, de 64 anos, chegou à presidência da DFB em 2012, e antes disso foi membro do comitê organizador da Copa de 2006, presidido na época pelo ex-craque Franz Beckenbauer, que hoje está sendo investigado pela comissão de ética da Fifa. "Eu estive lá desde o primeiro dia da candidatura para sediar a Copa, e trabalhei de forma limpa, digna e correta. Nas funções que desempenhei, nas áreas de marketing, mídia, credenciamento e organização do evento, posso dizer com consciência tranquila que não fiz nada de errado", frisou. "É deprimente e doloroso para mim ser confrontado, nove anos depois, com transações nas quais não fui envolvido, e que, para mim, deixam várias questões em aberto", completou.
De acordo com a federação, Niersbach será substituído, num primeiro momento, pelos dois vice-presidentes, Reinhard Rauball e Rainer Koch. O escândalo estourou no mês passado, quando a revista Der Spiegel acusou da DFB de ter criado um 'Caixa 2' para comprar votos na eleição da sede da Copa de 2006.
Na última terça-feira, o ministério público de Frankfurt, mandou revistar a sede da DFB e os domicílios de Niersbach, do seu predecessor, Theo Zwanziger, e de Horst Schmidt, que foi seu secretário-geral, para apurar supostos casos de sonegação fiscal. O que levou as autoridades a investigar o caso foi um pagamento de 6,7 milhões de euros feito pela DFB à Fifa em 2002.
De acordo com Niersbach, este pagamento foi feito pelo ex-presidente da Adidas, Robert Louis-Dreyfus, falecido em 2009, no âmbito de garantir um subsídio de 170 milhões de euros para ajudar a organização do Mundial. Já Zwanziger deu outra versão, afirmando que ouviu de Horst Schmidt que os 6,7 milhões de euros em questão foram pagos a Mohammed Bin Hammam, ex-presidente da Confederação Asiática e então membro do comitê executivo da Fifa, que em 2011 foi banido para sempre do futebol por corrupção. A Fifa negou essas afirmações, e o próprio Beckenbauer admitiu no dia 26 de outubro ter "cometido um erro", embora garanta que "não houve compra de votos".
Presidente da Federação Alemã de Futebol renuncia ao cargo
Wolfgang Niersbach garantiu não ter feito nada errado nos preparativos da Copa 2006