Esportes

Presidente do Cruzeiro esconde fazenda de R$ 60 milhões em MG

Imóvel foi vendido em 2009 por R$ 360 mil para empresa em nome dos filhos de Zezé Perrella

Se o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, está envolvido em acusações de recebimento de propina a enriquecimento ilícito, ele não é o único. Em Minas Gerais, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, é proprietário de uma fazenda a perder de vista na cidade de Morada Nova de Minas. A sede tem piscina e pista para aviões com até 15 passageiros.

Perrella começou a investir na região 12 anos atrás. Primeiramente, ele comprou uma propriedade e depois as outras que ficavam ao redor. Um império de, hoje avaliado R$ 60 milhões. Pela escritura, registrada no cartório de imóveis de Morada Nova de Minas, a fazenda foi vendida em dezembro de 2009 por R$ 360 mil. A propriedade foi transferida para o nome da empresa Limeira Agropecuária, registrada nos nomes de dois filhos de Perrella e de um sobrinho.

Perrela não quis gravar entrevista. A assessoria de imprensa do Cruzeiro informou que o valor do imóvel, avaliado em R$ 360mil, é referente a apenas uma das fazendas e não a todas que, juntas, valem cerca de R$ 70 milhões por causa das benfeitorias que foram feitas.

Ao Tribunal Regional Eleitoral, Perrella informou ter R$ 490 mil em bens. O patrimônio seria um veículo e alguns investimentos em aplicações financeiras. A declaração foi apresentada quando o cartola se candidatou como suplente do senador Itamar Franco, internado em São Paulo para tratar um câncer. Perrella já foi deputado federal, de 1999 a 2003, e estadual, de 2006 a 2009. Por causa dos cargos públicos que ocupou e a partir da reportagem do Hoje Em Dia, o Ministério Público Estadual decidiu investigar a origem da fortuna do cartola que começou a vida cerca de trinta anos atrás com uma pequena loja no mercado central.

Cinco anos atrás, o empresário Fernando Torquatti Júnior diz que fez denúncias parecidas com as de hoje. Mas as investigações contra Perrella não foram adiante. “Ele misturou as coisas. Acha que o Cruzeiro é a casa dele. E isso está acabando com o clube.”

Denúncias

E as denúncias não param – uma prova disso são as recentes mudanças no caso do título brasileiro de 1987. Depois de uma decisão que levou 24 anos para ser tomada, o Sport foi considerado o único campeão nacional daquele ano, título que vinha sendo dividido e disputado judicialmente com o Flamengo.

A decisão também beneficiou o São Paulo: sem o título do Flamengo, ele passou a ser novamente o primeiro pentacampeão brasileiro e voltou a ter direito a ficar com a Taça das Bolinhas.

Nordeste

Rivais pernambucanos, Sport e Náutico ainda lutam para voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Em situação pior está o Santa Cruz. O clube é dono do maior estádio pernambucano, o Arruda, mas nos últimos cinco anos a apaixonada torcida se acostumou com fracassos. Hoje, o time está na quarta divisão.

Falta futebol, mas também não há um tratamento justo da CBF, reclama o vice-presidente Joaquim Bezerra. “É um campeonato milionário, então basta que haja uma distribuição igual de renda para os clubes poderem apresentar-se bem. A CBF pra gente aqui no Nordeste não é atuante, a gente não entende nem vê a CBF fazer nada pelo futebol do Nordeste.”

Nas últimas três décadas, o futebol nordestino aos poucos foi sumindo da Série A do Campeonato Brasileiro. Em 1979, foram 28 equipes da região, em uma competição que tinha na época 94 times. Hoje, apenas Ceará e Bahia estão na elite da competição nacional.

Longe da elite e fora da televisão, os clubes tem menos poder na hora de explorar a própria imagem, como explica o radialista Léo Medrado. “Agora com a saída do Clube dos 13 do processo intermediário das negociações financeiras, a rede de televisão vai negociar diretamente com o clube mais ainda.“

Se em Pernambuco a dúvida é a sobrevivência dos clubes, na Bahia a incerteza é com um orgulho do torcedor: o seu maior estádio. A antiga Fonte Nova virou pó. Só a implosão custou R$ 50 milhões. Para fazer uma arena novinha em folha é preciso muito mais dinheiro.

Quando o contrato foi assinado entre o governo baiano e as construtoras, ficou acertado gastar R$ 591 milhões. Hoje, um ano e meio depois, o orçamento está em R$ 798 milhões. Do total do orçamento previsto, R$ 323 milhões vem do BNDES. Quem pediu o empréstimo foi o governo baiano, que já gastou R$ 52 milhões. Outros R$ 250 milhões sairão do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Empréstimo feito pelas construtoras, tendo o governo do estado como avalista. O restante, 173 milhões, vem de outros investidores.

A maior parte do dinheiro só vai ser liberada depois da avaliação do Tribunal de Contas do Estado. O órgão julga se o preço pago é justo, mas, para isso, precisa do projeto de engenharia, que já foi pedido oito vezes ao consórcio da obra, mas até agora nada. Sem dinheiro, a obra corre, sim, o risco de ficar pelo caminho.

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