Uma decisão no futebol quase sempre vem carregada de uma boa dose de emoção. Porém, vez ou outra, também carrega consigo uma pitada de crueldade. E foi exatamente isso que os torcedores do Flamengo presenciaram hoje no estádio Ahmad bin Ali, em Al Rayyan, no Catar, na final da Copa Intercontinental. Após conquistar o empate em 1 a 1 no tempo regular com o Paris Saint-German, o time carioca parou no goleiro Safonov nas penalidades e deixou escapar o bicampeonato mundial.
Com o resultado, o Flamengo agora soma seu segundo vice-campeonato mundial. Após ficar com a taça em 1981, a equipe foi derrotada na decisão para o Liverpool em 2019 e caiu na semifinal para o Al-Hilal em 2022.
O jogo
Para a sorte da torcida rubro-negra, o atual melhor do mundo, Ousmane Dembélé, eleito pela Fifa nesta terça-feira, ficou no banco de reservas no início do jogo – já que vinha apresentando sintomas gripais.
Mesmo assim, como já era esperado, o Flamengo enfrentou dificuldades em parar o ataque do PSG desde os primeiros minutos da partida. Apesar do meio de campo reforçado com Erick Pulgar e Jorginho, a posse de bola e as trocas rápidas de passes dos franceses fizeram com que eles dominassem o jogo.
Assim, o PSG abriu o placar logo aos 8 minutos. Após trapalhada de Rossi que, ao tentar salvar uma bola que sairia pela linha de fundo, deixou o gol aberto e viu Fabián Ruiz marcar. Porém, para o alívio dos cariocas, o VAR entendeu que a bola havia saído para escanteio e anulou o gol dos europeus.
O Flamengo até tentou reagir, lançando Bruno Henrique em profundidade pela esquerda, mas sem muitos sustos para o goleiro Safonov. Por isso, o PSG não teve muita dificuldade em encontrar o segundo gol, mais uma vez por conta de uma falha do goleiro Rossi. Doué recebeu de Mayulu na direita, cruzou rasteiro em direção a área. A bola não chegaria em Kvaratskhelia, mas Rossi deu um toque crucial e ajeitou para o atacante do PSG abrir o placar na decisão.
Empate brasileiro na segunda etapa
Em busca de uma reação rubro-negra no segundo tempo, o técnico Filipe Luís sacou Carrascal para a entrada de Pedro - escolha que mudou o cenário da partida. O camisa 9 incomodou a defesa francesa e, consequentemente, deixou o Flamengo um pouco mais a vontade no ataque.
Assim, aos 14, Arrascaeta invadiu a área, foi tocado por Marquinhos e pediu o pênalti. A arbitragem de campo não marcou mas, após chamado do VAR, assinalou pênalti para os cariocas. Com categoria, Jorginho cobrou e deixou tudo igual no marcador, mantendo vivo o sonho do bicampeonato.
O gol deu ânimo momentâneo aos cariocas, mas não demorou muito para o PSG recuperar o domínio do jogo. A entrada de Dembélé na metade do segundo tempo, trouxe ainda mais intensidade para o ataque francês, que quase ampliou após jogada do camisa 10 com Nuno Mendes, aos 35. A partir daí, foi lá e cá. As duas equipes abusaram dos lançamentos de bola em busca do gol, e a melhor chance foi do PSG.
No último lance do tempo regular, Dembélé fez bela jogada pela direita e chutou firme na pequena área. Marquinhos recebeu sozinho, de frente para o gol, mas furou o chute, o que levou o jogo para a prorrogação.
A pressão francesa seguiu nos dois tempos da prorrogação. Primeiro, com João Neves, que recebeu no meio, bateu firme e parou em Leo Ortiz. Depois com Dembélé, que chutou forte na entrada da área, mas mais uma vez a bola passou por cima do gol de Safonov. Assim, a decisão foi para as penalidades.
Nas cobranças, os cariocas viram brilhar a estrela de Safonov, que pegou quatro penalidades para dar o primeiro título mundial dos franceses. Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo desperdiçaram os chutes.