O goleiro Marcelo Boeck, 32 anos, campeão do Mundo e da Libertadores com o Inter em 2006, foi um dos jogadores da Chapecoense que não viajaram com o grupo para a Colômbia. O arqueiro lembrou nesta quarta-feira como recebeu a informação da queda do avião que levava os seus companheiros para a final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, em Medellín.
• Leia mais sobre a tragédia com a delegação da Chapecoense
“Estava dormindo e familiares e amigos começaram a ligar no meio da madrugada. E quando é neste horário, muitas vezes é porque algo aconteceu. Lembro que, quando falava alô, as pessoas diziam graças a Deus. Tomei um susto, levantei, liguei a televisão e as informações ainda nos davam esperanças... Quando a minha esposa se inteirou das notícias, lembrou que seria ela que daria a notícia para o nosso filho se fosse há três meses, quando era titular. Daí caiu a ficha”, afirmou o goleiro.
Boeck comentou também qual é o sentimento para os jogadores que não foram para a Colômbia e acompanharam a tragédia à distância. “Nós que não fomos temos um peso muito grande, pois ficamos pensando que poderíamos estar lá. O que vou fazer agora aqui? O que vou fazer com as famílias e com os entes que ficaram? Estamos com o rosto inchado, pois não conseguimos dormir desde segunda-feira. Tem a nossa família, que não podemos deixar de dar atenção, mas temos que focar nos familiares daqueles que partiram, pois isso vai ser importante para o futuro deles e da própria Chapecoense”, declarou o arqueiro.
O episódio fez o jogador e seus companheiros que permaneceram em Chapecó repensar os seus valores e lembrar a importância que os entes queridos representam nas suas vidas. “Quando não vamos para o jogo, nos sentimos frustrados e injustiçados. Quando acontece algo assim a gente vê que tudo aquilo que traz o futebol nem se compara com o maior valor que é a vida. Se posso ver meus filhos, é porque Deus resolveu me dar mais uma oportunidade. E também continuar o legado que o pessoal deixou. Temos que continuar. Temos que continuar”, disse Boeck.
"Quando falava alô, as pessoas diziam graças a Deus", lembra Marcelo Boeck
Goleiro campeão da Libertadores e do Mundo com Inter quer continuar legado na Chapecoense