Temperamental, esquentado, irritado. Há muitos adjetivos possíveis para qualificar D'Alessandro. Mas dentro do campo, acima de qualquer coisa, o argentino é talentoso com a bola nos pés. Quando ela cai à feição do pé esquerdo, então, pode sair quase tudo, inclusive o famoso "La Boba", drible que virou marca registrada desde os primórdios da carreira no River Plate. Em agosto, ele completa dois anos de Beira-Rio: "Estou satisfeito com o que fiz até agora no Inter, mas quero fazer muito mais. O clube sempre me deu tudo. Quero retribuir".
O projeto pessoal é ficar no Beira-Rio até o final do contrato, em 2012. Mas não é simplesmente permanecendo que ele conseguirá recompensar o esforço para contratá-lo. D'Alessandro sabe que, além de ficar, tem de ser o protagonista do time e ajudá-lo na busca dos títulos. Afinal, foram 5 milhões de euros para trazê-lo do San Lorenzo. E se ele próprio fosse presidente do Inter, contrataria D''Alessandro? "Não sei... Não falaria sim ou não. Se tivesse 5 milhões de dólares, tentaria contratar Robinho, Adriano ou Neymar".
O argentino, pouco afeito às entrevistas, não fala com a imprensa desde janeiro. Mas ontem, conversou com reportagem do CP por mais de meia hora. Foi atencioso e não fugiu das perguntas, nem das mais complicadas. Disse estar ressentido com as críticas, apesar de pouco acompanhar o noticiário. "Fico sabendo das coisas por amigos. Tem gente que gosta de mim e tem gente que não gosta. Eu aceito as críticas sobre futebol, mas não posso aceitar que passem do limite. Quando é pessoal, não dá", argumenta.
Para ele, o time colorado ainda não está no melhor momento. Perdeu jogadores importantes desde o ano passado e ainda não achou a sintonia fina. Cita Nilmar, Alex e Magrão. "É muito cedo para falar que o time está pronto. Falta conhecimento entre nós. O Estudiantes ganhou a Libertadores porque vem jogando junto há três, quatro anos. Não é do dia para a noite", explica.
D'Alessandro não sabe se enfrentará o Deportivo Quito, amanhã, pela Libertadores. Ontem, após a entrevista, fez tratamento médico para livrar-se de uma dor muscular na panturrilha. Também não pode confirmar se estará em campo no Gre-Nal de domingo, que começa a decidir o Gauchão, já que Jorge Fossati pode poupar alguns titulares. O que lhe irrita são as acusações de que falta empenho em campo: "Tento ajudar, correr ao máximo para o time. Só que o meu forte não é recuperar a bola. Se tem alguém que pensa que eu tenho que correr o mesmo que o Guiñazu, o futebol está virado. Eu sei que não posso fazer a função do Guiñazu".
Por fim, D'Alessandro negou problemas de relacionamento com o grupo. Admitiu que os "amigos verdadeiros estão na Argentina", mas garantiu que se dá bem com todos no vestiário. "Se eu fosse um cara impossível de tratar, não teria jogado 5 anos na Europa. Lá, os caras não são tontos. Por mais futebol que você jogue, se não for de grupo, te deixam de lado. Fora de tudo."
"Quero fazer muito mais", diz D'Alessandro
Meia afirma que Inter lhe deu tudo e agora quer retribuir