Fernando Collor era denunciado por uma dezena de crimes na presidência da república e Tarso Genro era eleito prefeito de Porto Alegre em votação histórica no momento em que os gaúchos faziam contas de muitos dígitos a um mês do Natal de 1992.
Antes de pensar no Papai Noel daquele, no entanto, gremistas e colorados tinham outra preocupação: os dois Gre-Nais, assim como agora, válidos pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Numa terça-feira, 6 de novembro, e numa sexta-feira, 17 do penúltimo mês do calendário, Grêmio e Inter se enfrentavam pela primeira vez - e até então única -, na quarta edição do torneio. Antes, durante e depois dos clássicos, as equipes ainda dividiam atenções com o Gauchão, então com 22 clubes na disputa.
Há 34 anos, porém, basta folhear as páginas do Correio do Povo da época para ver que os tempos eram de fato outros, embora o confronto conserve algumas características. O mistério nas escalações segue bem atual, ainda mais com os personagens do espetáculo hoje em dia não dando mais entrevistas na véspera como os treinadores faziam.
Gre-Nal Copa do Brasil 1992
Em função da má organização da venda de ingressos, houve tumulto nos dois estádios. Um torcedor do Inter sofreu um infarto e morreu, sendo a única vítima fatal entre dezenas de feridas ao redor do Beira-Rio.
Outra certeza em Gre-Nal é a reclamação de arbitragem. Tanto no jogo de ida, apitado por Jose Mocellin, quanto no da volta, arbitrado por Renato Marsiglia, o jornal aponta um pênalti não marcado para cada lado.
Das curiosidades que perderam espaço com o tempo se destaca a preliminar. O time infanto-juvenil do Inter recebia o Harmonia pelo Gauchão da categoria antes de a bola rolar no Beira-Rio, que naquela noite recebeu 54 mil pessoas, mil a menos da partida do Olímpico.
No final do confronto, os colorados levaram a melhor. Após dois empates por 1 a 1 nos dois confrontos, o Inter fez 3 a 0 nos pênaltis, classificou-se para encarar o Palmeiras na semi e ainda colocou nos cofres uma renda de 1,4 bilhão de cruzeiros, a moeda de então.