Esportes

Reunião propõe saída gradual ou pagamento à BM nos estádios

Conselhão e Assembleia debateram com órgãos estaduais o financiamento da segurança no futebol

Reunião propõe saída gradual ou pagamento à BM nos estádios
Reunião propõe saída gradual ou pagamento à BM nos estádios Foto : Divulgação CDES / CP
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS) vai encaminhar ao governo do Estado a recomendação de retirada gradual da Brigada Militar (BM) dos estádios ou o ressarcimento durante os jogos de futebol, com segurança privada atuando dentro do campo. As sugestões para resolver o impasse com a BM foram debatidas na tarde desta segunda-feira com a Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa.

O Secretário da Segurança, Airton Michels, destacou no início do encontro que o Rio Grande do Sul gastou R$ 8 milhões no ano passado para garantir a segurança dos torcedores. “Em um jogo grande, são 300 homens no estádio e 150 fora. Isso significa que 400 mil pessoas vão ficar sem policiamento por três dias”, observou. “Quando um contingente de policiais é deslocado para proteger torcidas, há injustiça na prestação de serviço para a comunidade”, acrescentou.

Uma agência de regulamentação foi sugerida pelo secretário do Esporte, Kalil Sehbe, que citou o exemplo da Inglaterra. O novo órgão serviria para determinar as regras de parceria da população com o poder público. Segundo ele, a mudança em relação à segurança nos estádios deve ocorrer gradualmente.

Clubes defendem permanência da BM

Os clubes defenderam a permanência da segurança pública durante as partidas. “A BM é imprescindível nos estádios”, disse o diretor jurídico da Federação Gaúcha de Futebol, Luiz Fernando Costa. O vice-presidente do Inter, José Amarante, destacou o cadastro de torcedores feito pelo Colorado para reduzir a violência. Já Nestor Hein, representando o Grêmio, contou que o clube tem estratégias para diminuir os conflitos nos estádios.

O juiz do Tribunal de Justiça Marco Aurélio Martins Xavier argumentou que a BM deve permanecer nos estádios, mas com pagamento por parte dos clubes. Para ele, o caminho era buscar integração entre segurança privada e BM.

O comandante geral da Brigada, coronel Fábio Duarte, lembrou que o policiamento deve dar conta dos 11 milhões de gaúchos e não pode concentrar apenas nos estádios. “Quando os policiais estão nos jogos, fica fora do policiamento ostensivo a sociedade, aí está importância deste debate”, comentou.

O promotor de Justiça José Francisco Seabra ressaltou que a segurança nos estádio deve ser feita pelo poder público, mas que a BM deve decidir a forma. Representando a Defensoria Pública, Marcelo da Silva defendeu a atuação da BM mais na retaguarda.

Compareceram ao encontro o Comando da Brigada Militar, Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representantes da Dupla Gre-Nal, da FGF e de torcidas organizadas.

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