Esportes

São Januário é interditado após confusão no clássico entre Vasco e Flamengo

Cruz-maltino pode perder até 25 mandos de campo

Jogadores do Flamengo tiveram dificuldade para deixar gramado de São Januário por confusão na torcida
Jogadores do Flamengo tiveram dificuldade para deixar gramado de São Januário por confusão na torcida Foto : Gilvan de Souza / Divulgação Flamengo / CP
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou nesta segunda-feira a interdição do estádio de São Januário, palco de tumulto generalizado envolvendo torcedores do Vasco dentro fora no último sábado, logo após o clássico contra o Flamengo. Minutos antes da decisão, a CBF já havia determinado que jogos no local só poderão ser realizados com portões fechados. O clube também foi denunciado no STJD pelo tumulto e poderá perder até 25 mandos de campo, além de estar sujeito a multas que podem chegar a R$ 350 mil.

A interdição imposta pelo STJD é válida até que a corte analise o caso, em julgamento que ainda não tem data marcada. Mas, com a determinação da CBF, mesmo que o Vasco consiga reverter a decisão liminar da Justiça desportiva, o clube só poderá jogar em casa sem a presença de sua torcida. A medida será válida até que o STJD tome uma decisão definitiva sobre o caso.

No tribunal esportivo, a interdição foi assinada pelo vice-presidente da corte, Paulo Cesar Salomão Filho, que acatou pedido da Procuradoria. Ele condicionou a liberação do São Januário à vistoria da CBF "com laudos obrigatórios para o pleno funcionamento do estádio e segurança dos torcedores e público em geral".

O comunicado da CBF, por sua vez, foi assinado pelo presidente Marco Polo Del Nero. O texto diz que a medida se deve aos "distúrbios graves e ao espetáculo de violência propiciados pela torcida do C.R. Vasco da Gama". A decisão determina que "sob nenhuma hipótese" será permitida a presença de torcedores.

Além da esfera esportiva, São Januário corre o risco de ser interditado pela Justiça comum. Nesta segunda-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) entrou com ação de interdição no Juizado Especial do Torcedor.

Para a procuradoria do STJD, o Vasco é responsável pelos atos praticados pela sua torcida. Pelo entendimento dos procuradores, "o clube foi permissivo ou tomou medidas insuficientes efetivas na fiscalização e na repressão do grupo de torcedores infratores e, com isso, assumiu o risco".

O Vasco é acusado de infringir o artigo 213 e seus incisos I (desordem), II (invasão) e III (lançamento de objetos), parágrafo 1.º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena máxima prevista por infração a cada um dos incisos é de multa que varia de R$ 100 a R$ 100 mil, além da perda de até 10 mandos de campo - no caso do inciso II, a Procuradoria considerou que houve apenas tentativa de invasão, e nesse caso a pena máxima cai pela metade.

A Procuradoria do STJD também denunciou o clube por infração ao artigo 211 do CBJD (deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização), cuja pena máxima é multa de R$ 100 mil.

Federação defende o Vasco

Quase dois dias após a selvageria no São Januário, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) divulgou nota nesta segunda-feira lamentando "os inaceitáveis episódios ocorridos por ocasião não só da partida entre Vasco e Flamengo, mas também do jogo entre Botafogo e Atlético MG (Mineiro)" - quando uma confusão antes do jogo no
estádio do Engenhão deixou pelo menos um ferido. Ao mesmo tempo, o comunicado também critica a proposta de interdição da casa vascaína.

No comunicado, a Ferj critica o que chamou de "ilusórias soluções mágicas, simplistas, superficiais, precipitadas e, provavelmente, até mesmo injustas que eclodem no imediatismo das declarações".

O texto diz que está se procurando um "bode expiatório" para o conflito que deixou um morto. "Realidade essa (violência) que não poupa o cidadão, onde quer que ele esteja, faixa etária, locais, instituições, a qualquer hora do dia ou da noite e que nos faz lamentar a perda de vidas e o crescente número de vítimas", afirmou o texto.

Para a Ferj, a interdição do São Januário ou uma eventual punição ao Vasco será um erro - a nota da entidade, contudo, não cita o clube ou o estádio diretamente. "Defendemos a rigorosa apuração de responsabilidades e exemplar penalidade dos culpados, mas afirmar que a interdição de um estádio, punição de um clube ou atribuir à Polícia Militar toda a culpa pelos incidentes sejam soluções para a violência nos parece primorosa peça de ficção e desconhecimento do conjunto da obra", disse o texto.