Numa medida incomum em sua carreira, Carpegiani avisou, antes de a bola rolar, que não falaria com a imprensa neste domingo. Durante os 90 minutos, ele teve um comportamento diferente dos últimos jogos. O treinador passou mais tempo no banco de reservas do que na área técnica.
O São Paulo enfrentou um Fluminense à espera do técnico Abel Braga, sem preparador físico titular (Ronaldo Torres pediu demissão) e sem o atacante Fred, vetado por causa de forte gripe. Talvez o time paulista esperasse um duelo mais difícil, até mesmo pela qualidade do atual campeão nacional, liderado pelo meia Conca, eleito o melhor jogador do último Brasileirão.
O primeiro tempo foi morno, com muitos erros de passe e várias faltas. O São Paulo desceu para o vestiário, no intervalo, com o placar favorável de 1 a 0 graças ao talento do trio Casemiro, Lucas e Dagoberto. Eles fizeram a diferença num clássico até ali equilibrado e sem tantos lances de perigo - exceção feita a um chute do meia Deco que passou rente à trave do goleiro Rogério. Num rápido ataque que aliou técnica e visão de jogo, Lucas tocou para Casemiro, que deu belo passe para o veloz Dagoberto chutar de primeira e estufar a rede. Carpegiani comemorou discretamente, sem se levantar do banco.
Tudo que o São Paulo queria era fazer 2 a 0 logo no início do segundo tempo e conseguiu. Lucas ganhou de Deco na corrida, passou por Gum, invadiu a área e finalizou com perfeição. Aí, sim, Carpegiani vibrou bastante e voltou a sorrir. Sabia que a fatura estava liquidada. O Fluminense teve que partir para o tudo ou nada, facilitando a vida do São Paulo. A vitória poderia ter sido mais elástica, porém a trave impediu o segundo gol de Lucas. Rivaldo, com quem Carpegiani havia se desentendido recentemente, entrou nos minutos finais.