Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina foram marcados por um episódio inédito ocorrido neste sábado: a primeira medalha da história do Brasil no evento. E o feito veio através do talento de Lucas Pinheiro Braathen, que ficou com o ouro na final da prova de slalom gigante do esqui alpino.
A premiação de hoje de Braathen representa para ele um recomeço na carreira. Filho de pai norueguês e mãe brasileira, ele nasceu em Oslo e chegou a competir pelo país de origem antes de representar o Brasil.
Descontentamento e aposentadoria precoce
Há três anos, quando estava em ascensão no mundo do esqui, Braathen surpreendeu quem o acompanhava ao anunciar a sua aposentadoria precoce. O motivo foi um desacordo com a Federação Norueguesa de Esqui.
Em 2024, Braathen revelou que retornaria ao esporte como representante brasileiro, assumindo a nacionalidade da mãe.
Braathen também chama atenção fora do esporte por conta do estilo. Acumula trabalhos como DJ e namora a atriz brasileira Isadora Cruz. A imagem e maneira como leva a vida foram alguns dos motivos do conflito com a organização norueguesa.
“Este é um segundo capítulo da minha vida. Honestamente, a pressão é muito alta. Eu represento mais de 200 milhões de brasileiros e sou o atleta com maior chance de trazer uma medalha para casa”, disse Lucas à Reuters antes dos Jogos de Inverno em Milão-Cortina.
- Lucas Pinheiro Braathen conquista ouro, a 1ª medalha olímpica de inverno da história para o Brasil
- “Estava esquiando com o coração”, diz Lucas Braathen após ouro no Jogos Olímpicos de Inverno
- Vídeo: torcida brasileira vibra com ouro de Lucas Braathen nos Jogos Olímpicos de Inverno
- Lula celebra ouro de Lucas Braathen: “amplia o horizonte do esporte nacional”
O Brasil no topo do pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno #MilanoCortina2026.
— Jogos Olímpicos (@JogosOlimpicos) February 14, 2026
Lucas Pinheiro Braathen é ouro! @pinheiiirooo @timebrasil pic.twitter.com/1sQ8R9ppbr
Primeiro contato com esqui ainda criança
Assim como qualquer brasileiro, Braathen é também fã de futebol e já tentou praticar o esporte, jogando em escolas de São Paulo. No entanto, o caminho começou a mudar quando teve o primeiro contato com o esqui, aos nove anos. Com o incentivo do pai, ele passou a investir mais tempo no atividade durante o inverno.
Já na adolescência, aos 14 anos, passou a integrar a equipe de desenvolvimento de esqui alpino e, aos 16, tornou-se um atleta federado da Noruega.
O reconhecimento internacional veio dois anos depois, quando ganhou duas medalhas no Mundial Júnior de Esqui Alpino.
Com a vitória deste sábado, o esquiador alcançou dez provas consecutivas entre os cinco primeiros colocados.
Sua maior ameaça nas Olimpíadas de Inverno era Odermatt, líder do ranking da Copa do Mundo. No entanto, o brasileiro garantiu uma vantagem de 58 centésimos contra o suíço, terminando a prova em 2 minutos e 25 segundos.