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Salto feito por Ilia Malinin nos Jogos de Inverno foi executado pela primeira vez por uma mulher nos anos 1990

Surya Bonaly, patinadora francesa, se tornou símbolo de resistência na modalidade ao ir contra o que era aceito na época

Ilia Malinin executou o backflip nos Jogos de Inverno
Ilia Malinin executou o backflip nos Jogos de Inverno Foto : GABRIEL BOUYS/AFP/CP

Um dos movimentos mais desafiadores da patinação artística acabou voltando à tona nesta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. O backflip, ou "mortal" para trás, feito pelo atleta Ilia Malinin na conquista do ouro para a seleção dos Estados Unidos, em que ele arriscou ao aterrissar no gelo com apenas um pé. O salto, no entanto, se tornou símbolo ao ser executado nos Jogos de Nagano-1998 pela patinadora francesa Surya Bonaly.

Cinco vezes campeã europeia, nove vezes campeã francesa e três vezes vice-campeã mundial, Surya foi a primeira patinadora a executar giros quádruplos e backflips em competições oficiais. Apesar do talento e da sua capacidade técnica, seu estilo, oriundo da ginástica artística, era considerado fora dos padrões da modalidade na época. Também foi vista como rebelde ao introduzir movimentos inéditos na categoria feminina do esporte.

Os saltos eram tecnicamente impressionantes e foram imediatamente proibidos por serem considerados muito perigosos, além de serem incompatíveis com a estética do esporte. Em 1994, no Mundial no Japão, Surya executou diversas manobras com saltos quádruplos misturados com triplos, suficientes para conquistar o ouro pela dificuldade técnica. O título, porém, foi para a atleta da casa Yuka Sato.

Quando o resultado foi anunciado, Bonaly subiu ao pódio, recebeu a medalha de prata e a retirou do pescoço imediatamente diante do público. O gesto foi considerado antidesportivo pela comunidade da patinação artística e repercutiu durante anos. Ao mesmo tempo, também ficou marcado como um momento em que a atleta desafiou o sistema de julgamento da época.

Quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos de Nagamo-1998, Surya incluiu novamente o backflip em sua apresentação e acabou punida nos pontos finais. Ficou de fora da disputa por medalhas, mas encerrou sua participação em competições oficiais mantendo a ousadia nas execuções que permeou toda sua carreira.

O backflip voltou a ser permitido pela Federação Internacional desde 2024. Em Milão, o salto não gera mais redução de pontos, embora também não tenha uma pontuação específica de bonificação. Mesmo assim, ainda brilham os olhos do público sempre que é executado.

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