Depois de ser assombrado pela dúvida do rebaixamento no primeiro turno, o Santos já está disputando com vigor uma vaga no G4. A equipe da Vila Belmiro foi soberana em casa nesta quarta-feira, venceu o São Paulo por 3 a 0, pela 24.ª rodada, e completou a sua nona vitória seguida em casa, oito delas pelo Campeonato Brasileiro. Agora, a equipe só tem um ponto de desvantagem para a zona da Copa Libertadores. A diminuta torcida são-paulina repetiu o coro ouvido nos jogos do Morumbi: "time sem vergonha".
A bola de cristal do técnico colombiano Juan Carlos Osorio se mostrou meio opaca. Ele havia previsto um jogo ofensivo, lá e cá, mas o prognóstico se confirmou apenas para os donos da casa. Os visitantes tiveram duas chances, isoladas no início e no fim do primeiro tempo, as duas com Rogério. No resto do tempo, correram atrás do rival.
O Santos foi o senhor do jogo, sempre com maior posse de bola. Os erros de passe, no entanto, prejudicaram a sua fluidez. Muitos passes morriam no vazio e a equipe da casa não conseguiu provocar o tsunami que causou nos jogos anteriores. Jogo equilibrado até a metade do primeiro tempo.
A estratégia santista era, na verdade, um torniquete que foi dando suas voltas à medida que o tempo passava. Quase sempre pelo lado direito, com as triangulações entre Victor Ferraz, Gabriel e Rafael Longuine, o Santos cutucava o rival e começava a tocar sua música.
Marquinhos Gabriel não tem a exuberância de Lucas Lima, mas foi um armador eficaz. Inspirado pelo titular, tentou metidas enjoadas, como aos 28 minutos. Ricardo Oliveira recebeu, cruzou de primeira e Thiago Maia furou na pequena área. Vale lembrar que Maia é volante, o elemento surpresa que começou a confundir a zaga do São Paulo.
E o torniquete deu sua volta definitiva aos 31 minutos. Após cobrança de falta de Zeca, o zagueiro David Braz desviou de cabeça no ângulo. O São Paulo não havia tomado gol nos últimos quatro jogos. Uma faixa subiu nas arquibancadas pedindo a convocação do capitão santista para a seleção. Não é para tanto.
O segredo do Santos foi a movimentação constante dos jogadores de frente. Os defensores do rival não sabiam a quem marcar. Por outro lado, não funcionou a estratégia de contra-ataque do São Paulo. Michel Bastos foi poupado depois de atuar em todos os jogos com Osorio. Também pesou nesta escolha o fato de o time querer apostar mais do que nunca no contra-ataque e Michel tende a cadenciar o jogo. Bem marcado, Paulo Henrique Ganso não conseguiu esticar nenhum dos três velozes atacantes. Mérito dos volantes Thiago Maia e Renato, que fizeram grande partida.
Aos 42 minutos, o gol de Rafael Longuine evidenciou a sinuca de bico em que o São Paulo se encontrava. Gabriel aproveitou bobeada de Reinaldo e tocou para o meia anotar o segundo gol.
Osorio voltou atrás e escalou Michel Bastos e Wesley no lugar Wilder e Hudson no segundo tempo. Não deu tempo de o time esboçar reação tática e psicológica. Logo aos 6 minutos, o Santos definiu a partida. Após boa jogada de Victor Ferraz e Renato, Ricardo Oliveira se antecipou ao goleiro Renan Ribeiro e fez seu 16.º no Campeonato Brasileiro.
O São Paulo conseguiu ser ainda pior, mais lento e menos objetivo, e só teve uma chance: Rogério fez bela jogada e Michel Bastos acertou a trave. Nem esse lance diminuiu os gritos de "olé" da torcida santista.
Santos goleia o São Paulo na Vila Belmiro
Peixe completou a sua nona vitória seguida em casa, oito delas pelo Campeonato Brasileiro