Esportes

Secretário de segurança é demitido após tragédia em estádio no Egito

Pelo menos 74 pessoas morreram durante confrontos em jogo de futebol

Confrontos deixaram mais de 70 mortos após jogo de futebol no Egito
Confrontos deixaram mais de 70 mortos após jogo de futebol no Egito Foto : Mahmud Hams / AFP / CP
O secretário de segurança da cidade egípcia de Port Said (norte), onde pelo menos 74 pessoas morreram na quarta-feira à noite em atos de violência após uma partida de futebol, foi demitido. O ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, decidiu destituir Esam Samak do cargo "após os acontecimentos de Port Said", informou a agência Mena.

O caos explodiu após o fim da partida em que Al-Masry venceu o e Al-Ahly por 3 a 1. Centenas de torcedores do Al-Masry, clube de Port Said, invadiram o gramado e atiraram pedras e garrafas contra os torcedores do Al-Ahly, equipe do Cairo.

O Exército foi mobilizado na cidade, que fica na entrada norte do canal de Suez, para evitar novos confrontos. A polícia anunciou a detenção de 47 pessoas.

Caos total

O técnico português Manuel José, que comandava o time do Al-Ahly, disse que viveu cenas de "caos total". "Já era possível sentir a tensão durante o jogo. E quando terminou, milhares de pessas invadiram o gramado. Nem consegui chegar ao vestiário com toda esta confusão. Apesar de protegido por seguranças, recebi golpes na cabeça e no pescoço, mas estou bem", declarou o treinador português à imprensa do seu país.

"Parecia guerra", relatou Mohammed Abu Trika, um dos jogadores do time do Al Ahly, que escapou ileso da tragédia ocorrida durante a partida contra o Al Masry. "Não havia ninguém para nos proteger", acusou o meia Mohamed Barakat.

Irmandade Muçulmana acusa simpatizantes de Mubarak

A Irmandade Muçulmana acusou simpatizantes do ex-presidente Hosni Mubarak de serem responsáveis por estes confrontos. "Os eventos de Port-Saïd foram premeditados e são um recado dos partidários do antigo regime", afirmou o deputado Essam al-Erian num comunicado publicado no site do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), formação política da Irmandade Muçulmana.

Aviões militares foram recrutados após incidentes

Aviões militares foram enviados a Port Said para levar torcedores e jogadores do Al Ahly de volta para a capital Cairo. Diante do "maior desastre da história do futebol egípcio", conforme disse o ministro da Saúde, Hesham Sheiha, os jogos do campeonato nacional foram suspensos por tempo indeterminado e o Parlamento convocou uma reunião emergencial sobre o caso.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, também já se manifestou sobre a tragédia, dizendo estar "muito chocado e triste" com a notícia e mandando suas condolências aos familiares das pessoas que morreram em Port Said. "É um dia negro para o futebol. Uma situação catastrófica como essa é impensável e não deveria acontecer", afirmou o dirigente suíço.


Veja a invasão e os conflitos dentro do gramado:



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