Esportes

Sede da Federação Gaúcha de Breaking ganha reforma

Presidente da entidade, Claudisseia Santos conquistou um aporte financeiro através de um edital do governo do Estado

Obras iniciaram no final de fevereiro
Obras iniciaram no final de fevereiro Foto : Fabiano do Amaral

Quem caminha pelo Distrito Industrial do bairro Restinga, no extremo sul de Porto Alegre, não imagina que o local esconde um galpão cultural. E não apenas isso. Nem mesmo os moradores do bairro sabem que o local, afastado do chamado “centrinho”, é a sede da Federação Gaúcha de Breaking. Claudisseia Santos, presidente da entidade, descobriu o ginásio em 2019 e decidiu adotá-lo principalmente pelo tamanho do espaço.

Cinco anos depois da chegada de Ceia, seu nome b-girl, ao local, ela conseguiu o Termo de Permissão de Uso (TPU) junto à prefeitura. Apesar de ter assegurado o termo, o local ficou em condições precárias por ter se tornado um abrigo de cães durante as enchentes de maio de 2024, sem estrutura para abrigar tudo o que se planejava para o espaço.

Foi quando a Secretaria de Esportes e Lazer do Estado lançou um edital com um aporte financeiro voltado para federações que tiveram seus espaços esportivos atingidos pelas cheias. Ceia viu aí uma oportunidade de tornar tudo que pensava há anos realidade.

A dirigente inscreveu o galpão no edital e foi beneficiada pelo aporte com o valor de R$ 149 mil. No início deste mês, Ceia recebeu o valor e pôde, enfim, começar a reforma. "A empresa veio aqui e com o olhar técnico, eles viram o que era mais urgente. Então, a prioridade foi a estrutura do ginásio, a começar pelo telhado que era meu maior medo, porque ele foi erguido em 2001 e nunca tinha tido manutenção. Depois, a parte elétrica e hidráulica, porque tinha muitas coisas enjambradas na fiação e nas tomadas", relatou Ceia.

Ceia deu preferência para reformas na estrutura do local | Foto: Fabiano do Amaral

Apesar dos ajustes feitos, o Pavilhão Eco Sustentável da Cultura HipHop e dos Esportes Radicais, como será chamado, ainda precisará passar por mais algumas reformas no futuro. Isso porque o projeto de Ceia é expandir o local para além do breaking e migrar também para a parte cultural, braço forte da cultura hip hop. A dirigente deseja construir uma pista de skate e reformar a quadra de basquete, além de promover oficinas de marcenaria para os jovens.

No entanto, com as reformas na estrutura, Ceia conseguirá organizar a inauguração do Pavilhão para o dia 30 de março. O evento acontecerá durante toda a tarde e contará com shows, coffee break e oficinas de esporte e cultura. "Vai ser uma diversidade. Além das oficinas de basquete, breaking e MC, terão shows de artistas locais, vai ter pagode, samba, funk, de tudo um pouco", conta Ceia.

A partir deste dia, o espaço começará oficialmente a ofertar atividades para os jovens da Restinga e arredores. As oficinas acontecerão no turno inverso da escola e, por ora, 80 vagas, entre manhã e tarde, serão oferecidas para crianças e jovens entre 8 e 19 anos.

Nega Daya e Jeff são alguns dos oficineiros do Pavilhão. Daya ficará à frente das aulas de MC's, enquanto Jeff comandará as de basquete. "Essa região da Restinga, chamada de 5ª unidade, não é tão assistida em projetos culturais. O bairro é muito grande, então muitas vezes os jovens daqui têm que se deslocar para o "centro" daqui, que é onde tem piscina, tem ginásio, etc. Então, é muito bom trazer os olhos para cá", afirma Jeff.

Projeto visa oferecer oficinas de esporte e cultura | Foto: Fabiano do Amaral

Além disso, pensando no preconceito que enfrentou quando iniciou no breaking, Ceia irá comandar uma oficina voltada apenas para as mulheres, chamadas de b-girls. “Eu quero muito fomentar a base do breaking gaúcho, para que em Brisbane-2032 a gente consiga ter uma delegação de gaúchos lá. Porque as pessoas precisam entender que no Sul existe quem dança breaking sim”, completa Ceia.