Dos seis atletas que disputarão as categorias no masculino, cinco foram formados por Pereira no ginásio que nos últimos anos ganhou fama no boxe nacional. Afinal de contas, foi lá que surgiu Tairone Silva, campeão brasileiro e sul-americano antes de ser assassinado a tiros em 2011.
A morte de Silva atraiu novos atletas, mas por outro lado, sem a visibilidade de um boxeador conhecido, os patrocinadores sumiram. "Têm só umas lojas que às vezes ajudam, dão R$ 50 ou R$ 100", diz Pereira. Com pouco dinheiro, não resta outra alternativa a não ser encarar de ônibus o trecho de 1.447 quilômetros entre Porto Alegre e Campo Grande. Não que após 30 horas exista a recompensa de uma cama. "A gente deve chegar lá por volta da meia-noite, mas o hotel só começa a receber os atletas às 8h. Então acho que vamos dormir na rodoviária mesmo", revela o técnico.
Como é usual no boxe, nos dias que antecedem o combate, a luta é contra o peso. Giovani Moraes, 17 anos, é um bom exemplo. O garoto compete na categoria até 49 quilos. Como está com 52 quilos, precisa perder 3 quilos até segunda-feira, data da pesagem. A primeira receita é comer pouco. "Na viagem, o negócio é dormir e esquecer a fome. Até lá, só um miojinho e um ovo cozido ou uma bolacha. Refri, nem pensar", conta.