No quinto dia de guerra no Oriente Médio, a treinadora da Seleção do Irã, país alvo de bombardeios desde sábado, Marziyeh Jafari, declarou nesta quarta-feira que sua equipe, que está na Austrália participando da Copa da Ásia de Futebol Feminino, está 'muito preocupada' com seus familiares no país. A técnica ainda ressaltou que a guerra está afetando diretamente a concentração do time pois suas jogadoras se encontram 'completamente desconectadas' do torneio.
Na preparação para enfrentar a anfitriã Austrália em Gold Coast na quinta-feira, após uma derrota por 3 a 0 para a Coreia do Sul em sua estreia, a equipe voltará aos gramados sabendo que seu país vem sendo bombardeado desde sábado pelos Estados Unidos e por Israel, ataques que tiraram a vida do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Sem acesso à internet, as integrantes da delegação iraniana não têm notícias de seus familiares e amigos. A técnica destacou à imprensa australiana as dificuldades de pensar no âmbito esportivo neste momento.
"Obviamente estamos muito preocupadas com nossas famílias, nossos entes queridos e todas as outras pessoas em nosso país. Viemos aqui para jogar futebol de maneira profissional e faremos tudo o que for possível para nos concentrar na partida que temos pela frente”, destacou a técnica.
Apesar de tudo, Jafari demonstrou gratidão pelo apoio que têm recebido dos iranianos residentes na Austrália. Segundo a atacante Sara Didar, de 21 anos, os dirigentes do futebol asiático ofereceram 'todo o apoio e assistência' à sua seleção, que chegou à Austrália alguns dias antes do início da guerra.
O Irã fez uma estreia histórica na última Copa da Ásia, disputada na Índia em 2022, o que transformou as jogadoras em heroínas nacionais em um país onde os direitos das mulheres são severamente restringidos.