Sem Neymar e depois de perder nada menos de seis jogadores por lesão ou motivos pessoais, a Seleção Brasileira inicia neste sábado sua campanha a Copa América do Centenário, contra o Equador, surpreendente vice-líder das eliminatórias para o Mundial-2018. O palco da estreia, às 19h locais (23h de Brasília) será o Rose Bowl de Pasadena, perto de Los Angeles, onde o técnico Dunga, então capitão do Brasil, levantou a taça do tetracampeonato, depois da final da Copa do Mundo de 1994.
Apesar do estádio trazer boas lembranças ao torcedor, a Seleção atual continua marcada por um episódio bem menos glorioso, o vexame histórico da goleada de 7 a 1 para a Alemanha sofrida em casa. Tudo indica que será escalado pela primeira vez uma equipe sem nenhum jogador que começou jogando naquela fatídica semifinal de Copa do Mundo.
Com a saída de Luiz Gustavo, que pediu dispensa na quinta-feira, alegando problemas pessoais, sobram apenas três remanescentes da campanha fracassada de 2014. Titular contra a Alemanha, Hulk faz parte do grupo da Copa América, mas deve começar no banco. Willian e Daniel Alves devem ser escalados contra o Equador, mas o primeiro só entrou no final da partida no 7 a 1 e o segundo sequer foi a campo. "Medalhões" como Thiago Silva, David Luiz ou Marcelo já foram descartados pelo treinador.
Em busca do esquema ideal
Apesar da intenção clara de renovação, com a presença de vários jovens convocados para adquirir rodagem antes de disputar as Olimpíadas do Rio-2016, a Seleção está longe de esbanjar serenidade. Afinal, cinco dos 23 jogadores anunciados na lista inicial de Dunga estão fora de combate (Ricardo Oliveira, Douglas Costa, Rafinha Alcântara, Ederson e Luiz Gustavo). Kaká, que foi chamado de última hora no lugar de Douglas Costa, também foi cortado, por sentir dores musculares.
"A pressão sempre está sobre o Brasil. Estamos acostumados, mas nesse caso, com todos esses desfalques por lesão, isso nos serve de adrenalina para crescermos como equipe", avisou Dunga na entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira. "Perdemos vários jogadores, mas temos outros jovens de grande qualidade que desejam jogar pelo seu país e querem aproveitar cada oportunidade", enfatizou o treinador.
Entre os substitutos, Lucas e Paulo Henrique Ganso, considerados grandes promessas quando despontaram, ganharam novas oportunidades de mostrar serviço, depois de ficar anos afastados. Neymar, que estourou no Santos junto com Ganso, é o único da geração que realmente se firmou. Consagrou-se como o grande craque do país e herdou até a faixa de capitão, mas não está nos Estados Unidos por conta de um acordo da CBF com o Barcelona para garantir a presença do camisa 10 nas Olimpíadas.
Miranda, que deveria usar a braçadeira no lugar do atacante, não deve jogar estreia contra os equatorianos, mas o departamento médico descartou a possibilidade de mais um corte. O zagueiro do Atlético de Madri deve ser substituído por Marquinhos para formar dupla com Gil. Lá na frente, Dunga deve repetir o trio que jogou no amistoso de domingo contra o Panamá (vitória por 2 a 0), com Willian e Philippe Coutinho nas pontas e Jonas de centroavante.
Contra os panamenhos, o atacante do Benfica abriu o placar logo no segundo minuto de jogo e Gabigol marcou o segundo dez minutos de entrar em campo, na sua estreia com a camisa da seleção, mostrando que é ótima opção para Dunga. No meio de campo, Casemiro, que chega cheio de moral depois do título da Liga dos Campeões com o Real Madrid, deve ser titular ao lado de Renato Augusto e Elias, dois volantes versáteis que sabem sair jogando. Um dos três pode até ser substituído no decorrer da partida, como aconteceu no intervalo contra o Panamá, quando Hulk entrou no lugar de Luiz Gustavo, dando mais liberdade para Coutinho armar as jogadas.
Adversário complicado
O problema é que o Equador promete ser um adversário bem mais complicado do que os panamenhos, apesar de também ter problemas de lesão, como o atacante Felipe Caicedo. No último confronto entre as duas equipes, o Brasil venceu por 1 a 0, com gol de Willian, em amistoso disputado em Nova Jersey, o segundo da nova era Dunga.
Os equatorianos fizeram um início de campanha perfeito nas eliminatórias do Mundial-2018, com quatro vitórias nas primeiros quatro rodadas, antes de acumular dois tropeços seguidos, contra Paraguai (2-2) e Colômbia (3-1). Os comandados de Gustavo Quinteros dividem a ponta com o Uruguai, que tem os mesmos 13 pontos, mas um saldo de gols superior. O Brasil tem apenas nove e ocupa a sexta posição, fora da zona de classificação.
Por isso o torneio continental também tem como papel dar mais entrosamento à equipe, que precisa dar a volta por cima para não ficar fora da Copa do Mundo pela primeira vez da sua histórias. Na outra partida válida pelo grupo B, o Peru, de Paolo Guerrero, atacante do Flamengo, enfrenta a modesta seleção do Haiti, às 16h30min locais (20h30min de Brasília), em Seattle.
Pelo grupo A, a Costa Rica, que surpreendeu a todos ao chegar às quartas de final da Copa do Mundo em 2014, encara o Paraguai, carrasco do Brasil nas quartas de final das últimas duas edições da Copa América. O jogo acontece às 17h locais (18hde Brasília), em Seattle.
Copa América - Grupo B
Brasil
Alisson; Dani Alves, Marquinhos, Gil, Filipe Luis; Casemiro, Renato Augusto, Elias; William, Jonas e Philippe Coutinho. Técnico: Dunga.
Equador
Alexander Domínguez; Walter Ayoví, Frickson Erazo, Gabriel Achilier, Juan Carlos Paredes; Jefferson Montero, Carlos Gruezo, Christian Noboa, Antonio Valencia; Miller Bolaños e Enner Valencia. Técnico: Gustavo Quinteros.
Árbitro: Julio Bascuña (Chile)
Local: Rose Bowl, em Pasadena
Início: 23h (de Brasília)
Brasil estreia na Copa América renovado após lesões em série
Jogo será no local em que Seleção conquistou o tetra em 1994