Seleção Brasileira

Copa Feminina: qual será o legado do Mundial no Brasil?

Ex-capitã da Seleção Feminina, Aline Pellegrino trabalha para que Mundial cause impactos duradouros

Aline Pellegrino concilia o trabalho de gerente de competições femininas da CBF com o cargo de diretora executiva de legado da Copa Feminina de 2027
Aline Pellegrino concilia o trabalho de gerente de competições femininas da CBF com o cargo de diretora executiva de legado da Copa Feminina de 2027 Foto : Mariana Marsiaj

Entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, o Brasil recebe a Copa do Mundo Feminina de 2027. Serão 736 atletas, de 32 seleções, disputando 64 partidas em oito cidades-sedes, todas em busca do mesmo sonho. Mas o que fica depois que o apito final soa, que os confetes caem sobre o gramado e as campeãs levantam a taça?

Para 1950, foi construído o Maracanã, até hoje um dos palcos mais emblemáticos do futebol mundial. Em 2014, foram seis novos estádios, além de uma série de obras de mobilidade e infraestrutura nas cidades-sede. Se a Copa de 2027 vai aproveitar o trabalho já feito 13 anos antes, qual será o legado deste Mundial?

Pensar nisso é o trabalho de Aline Pellegrino. Medalhista olímpica e vice-campeã na Copa de 2007, a ex-capitã da Seleção Feminina concilia o trabalho de gerente de competições femininas da CBF com o cargo de diretora executiva de legado e relações institucionais da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027. A principal, mas não única, missão é transformar a mobilização em torno do Mundial em ações concretas em prol do fortalecimento do futebol feminino no Brasil e na América Latina.

“A gente quer saber como estava antes da Copa, onde a gente quer chegar depois e como controlar esse caminho, com planos de ação, objetivos claros e resultados. É para a gente poder chegar aqui daqui um, três, cinco ou dez anos e poder falar: saímos desse lugar, queríamos chegar aqui e conseguimos”, explicou Aline, em entrevista ao Correio do Povo.

A diretoria de legado, implementada pela Fifa pela primeira vez para a Copa de 2027, trabalha sobre três pilares: futebol feminino, social e infraestrutura. O primeiro se dedica a aproveitar o interesse na Copa para impulsionar o desenvolvimento da modalidade no Brasil e na América do Sul, desde as competições formais de clubes até políticas sociais que permitam que meninas e mulheres tenham acesso à prática do futebol como forma de lazer.

“Quantas meninas praticam futebol hoje? Em qual esfera do esporte? Elas tão jogando em campeonatos estruturados? É formal num clube social público ou privado, ou é num clube de futebol? Vamos ter muitas ações concretas em diferentes frentes. Vamos ter ações voltadas aos clubes, às federações, à CBF. Vamos ter ações voltadas a políticas públicas para que centros esportivos que trabalham apenas com o futebol mascunino passem a ter também o feminino, para identificar praças esportivas em que a utilização por mulheres e meninas é pequena e descobrir como podemos mudar isso”, destaca a diretora.

O pilar social se refere a como a Copa pode melhorar a sociedade brasileira, desde aumentar a representatividade feminina no esporte até trabalhar em parceria com a iniciativa pública para combater as violências que as mulheres sofrem no dia a dia. Já o pilar de infraestrutura, por outro lado, se refere à manutenção e melhoria do legado de obras já deixadas pela Copa de 2014.

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Questiona sobre como a responsabilidade de jogar uma final de Copa do Mundo se compara ao seu trabalho na construção do próximo Mundial, a ex-jogadora deu risada. “Jogar era mais fácil, mas me sinto muito privilegiada de estar vivendo essa oportunidade. Sinto que vai mudar a minha vida, assim como jogar uma final de Copa me mudou como atleta”, admitiu.

Expectativas para a Seleção Feminina

Aline Pellegrino vem acompanhando a Seleção nas Datas Fifa, e tem visto em primeira mão a relação da equipe com os torcedores nesta sequência de jogos em território nacional. O Brasil vai terminar o ano com dois amistosos no Japão, mas o planejamento da CBF prevê que todos os outros amistosos da Seleção antes da Copa sejam realizados no país.

“Quanto mais as gurias puderem jogar no Brasil, melhor. E quanto mais puder jogar em diferentes lugares do Brasil, também. Queremos que a Seleção mobilize o torcedor, mesmo aquele que não vai receber a Copa na sua cidade”, destaca Aline.

A ex-jogadora espera que o país abrace a Copa do Mundo mesmo quando o Brasil não estiver jogando, mas acredita que a Seleção vai longe na competição. “A Seleção está muito consciente das expectativas de jogar em casa. Acho que a equipe vai chegar na competição no seu momento mais maduro de toda essa história recente de Copas do Mundo e Olimpíadas”, projetou.