Desde que Cafu, logo depois de homenagear o bairro Jardim Irene, levantou a taça do pentacampeonato no Estádio Internacional de Yokohama, em 2002, o hexa é uma obsessão para o torcedor brasileiro. De lá para cá, o Brasil nunca ultrapassou as quartas de final nas Copas do Mundo seguintes. A única exceção foi em 2014, mas, dada a histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal, há quem deseje que o time tivesse parado, mais uma vez, na fase anterior. A partir de junho do ano que vem, 24 anos depois, surge uma nova oportunidade de pintar o planeta de verde e amarelo. Mas logo aparece um questionamento: o que esperar da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026?
A resposta mais honesta talvez traga mais dúvidas do que certezas, mas isso não é necessariamente algo ruim para o momento. O ciclo após a Copa de 2022, no Catar, como se sabe, não foi dos mais organizados. A ideia da CBF, então presidida por Ednaldo Rodrigues, sempre foi contar com Carlo Ancelotti como treinador. O problema é que o acerto demorou a acontecer, sendo sacramentado apenas em maio deste ano. Até lá, Ramón Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior estiveram no comando da Seleção, todos com resultados muito abaixo do que se espera nesse nível.
Ancelotti comandou o Brasil apenas oito vezes
Com pouco tempo, Ancelotti só treinou o Brasil em oito partidas, sendo quatro amistosos. O que se viu até agora é animador, pelo menos na comparação com os antecessores. A defesa se mostrou mais consistente e o ataque fez valer o status de alguns dos seus principais nomes, como Vinícius Júnior e Rodrygo. Em paralelo, o surgimento de nomes como Estêvão aumenta o poder ofensivo.
A grande dúvida, quem diria, é Neymar. Na teoria, a Seleção seria ele e mais 10. Na prática, no entanto, não tem sido assim. Faz tempo que o atacante não consegue embalar uma sequência positiva de jogos, seja por reiteradas lesões, seja por questões extracampo que acabaram interferindo no trabalho. O jogador foi submetido a uma artroscopia no final deste ano e começa 2026 como uma incógnita. Não se sabe sequer se estará na relação de convocados para o Mundial, quanto mais como um dos titulares de Ancelotti.
De resto, apesar do crescimento do Brasil a partir da chegada do técnico italiano, há outro fator a ser levado em conta: os adversários. Diferentemente de outrora, a Seleção Brasileira não começa a Copa de 2026 cotada como uma das favoritas, status que hoje é muito mais facilmente atribuído à atual campeã Argentina e à vice França.
O sorteio da Fifa colocou o Brasil no Grupo C, ao lado de Marrocos, contra quem será a estreia, Haiti e Escócia. Como dois avançam, qualquer resultado que não seja avançar à próxima fase será um desastre.