Mano Menezes sabe que o tempo está passando e, se não convencer rapidamente, pode ter a sua caminhada interrompida. O presidente da CBF, José Maria Marin, lhe dá apoio público, mas não está seguro de que o treinador seja o melhor para a Seleção e uma troca não pode ser descartada. Até porque gente com grande influência sobre ele, como o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, quer outro comandante. Por conta disso, mais do que um bom resultado, precisa que a Seleção apresente futebol convincente e que agrade ao torcedor que for ao Morumbi.
"O torcedor está sempre disposto a apoiar, mas para fazer isso por 90 minutos, depende da gente", disse Mano nessa quinta, após o treino no Morumbi, visto por cerca de 3 mil pessoas – a entrada foi liberada a pedido de Marin para aproximar o público da equipe. "Não se pode exigir apoio por decreto. A nossa parte é jogar um futebol que deixe o torcedor envolvido com a Seleção".
Para isso, convocou para o amistoso desta sexta e também o da próxima segunda-feira, contra a China, no Recife, um grupo um pouco mais experiente do que aquele que foi à Olimpíada – mais parecido com o que fez 3 a 0 na Suécia, em um amistoso logo depois da prata em Londres. Não tem, porém, seu capitão, Thiago Silva, cortado por contusão. Mano confia em "pilares" como Neymar, Oscar e Daniel Alves, além de Lucas que, enfim, vai ter chance de começar jogando.
Postura ofensiva contra a África do Sul
A Seleção, nesta sexta, também será ofensiva. Mano Menezes escalou apenas um volante, Rômulo, e vai completar o meio de campo com Ramires e Oscar. Lucas, Neymar e Leandro Damião formarão a frente. Diego Alves será o goleiro e Daniel Alves, poupado nos treinos por causa de uma contusão muscular, está confirmado na lateral direita.
O técnico se diz tranquilo, mas clama por "carinho" dos paulistas, algo que não aconteceu nas duas últimas visitas da Seleção a São Paulo. Contra o Uruguai, em 2009, nas Eliminatórias da Copa da África do Sul, o time foi vaiado e somente os gols de Luis Fabiano na vitória por 2 a 1 aliviaram um pouco o clima. No ano passado, na despedida de Ronaldo e já sob o comando de Mano Menezes, a equipe também levou vaias no pálido 1 a 0 sobre a Romênia, no Pacaembu.
Na África do Sul, o técnico Gordon Igesund afirmou que pretende dificultar o trabalho do Brasil armando uma equipe bem ofensiva. Mano Menezes não deu importância à ameaça: "Todos querem ser ofensivos, mas sem oferecer espaço ao adversário. Só que é algo unilateral. Tem de ver o que o outro (time) vai fazer".
Amistoso
Brasil
Diego Alves; Daniel Alves, Dedé, David Luiz e Marcelo; Rômulo, Ramires e Oscar; Lucas, Neymar e Leandro Damião. Técnico: Mano Menezes
África do Sul
Khune; Mathoho, Khumalo, Fansman e Tshabalala; Mahlangu, Dikgacoi, Letsholonyane, Serero; Parker e Ndlovu. Técnico: Gordon Igesund
Estádio: Morumbi, em São Paulo (SP)
Horário: 15h45min
Árbitro: Nestor Pitana (ARG), auxiliado por Diego Bonfá (ARG) e Gustavo Rossi (ARG).