Há 30 anos, com um chute para fora de Roberto Baggio nos pênaltis, o Brasil voltava a conquistar a Copa do Mundo após 24 anos. Era a consagração de geração capitaneada por Dunga. De um time que não encantou, mas marcou época pelo equilíbrio entre defesa e ataque, e pela dupla Romário e Bebeto para resolver na frente.
A campanha brasileira teve cinco vitórias e dois empates, com 11 gols marcados e apenas três gols sofridos. “É uma Copa que começa com a Rússia e Camarões, adversários que a gente sabia que poderia bater, mas faz parte de um início de competição, onde você precisa jogar para entrar no nível e ir crescendo, ir sentindo as nossas condições”, diz Taffarel, que completa: “A Copa toda, dos sete jogos que fizemos, a gente sempre teve situações diferentes”.
Como foi a campanha brasileira até o tetra
Brasil 2 x 0 Rússia
Stanford Stadium, Palo Alto (20/06/1994)
Sem apresentar um futebol vistoso nas Eliminatórias e confirmando a classificação para a Copa do Mundo só na última rodada, o Brasil chegou aos Estados Unidos desacreditado. Mas, aos poucos, foi mudando essa história. No Grupo B, a Seleção Brasileira estreou diante da Rússia. Com gols de Romário, aos 26 minutos do primeiro tempo, e Raí, aos sete do segundo, os comandados de Parreira venceram por 2 a 0.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha (Aldair), Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga (Mazinho), Zinho e Raí; Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Rússia: Kharin, Gorlukovich, Nikoforov, Ternawski e Kuznetsov; Khlestov, Karpin, Piatnitski e Tsymbalar; Radchenko (Borodiuk, aos 77) e Yuran (Salenko, aos 55). Técnico: Pavel Fedorovic Sadyrin.
Brasil 3 x 0 Camarões
Stanford Stadium, Palo Alto (24/06/1994)
O segundo jogo da fase de grupos foi o mais fácil da campanha. Sem dificuldades, o Brasil goleou Camarões por 3 a 0 e garantiu classificação antecipada para as oitavas de final. Romário, aos 39 minutos do primeiro tempo, Márcio Santos, aos 21 do segundo tempo, e Bebeto, aos 28, marcaram os gols.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Zinho (Paulo Sérgio) e Raí (Müller); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Camarões: Joseph Bell; Stephen Tataw, Rigobert Song, Raymond Kalla e Hans Agbo; Marc-Vivien Foé, Thomas Libiih, Emile Mbouh e Louis-Paul Mfédé (Emmanuel Maboang); François Omam-Biyik e David Embé (Roger Milla). Técnico: Henri Michel.
Brasil 1 x 1 Suécia
Pontiac Silverdome, Detroit (28/06/1994)
Já classificada, a Seleção Brasileira precisava de apenas um empate para garantir a liderança do Grupo B. E assim foi, com mais dificuldade do que se esperava. Kennet Andersson, aos 23 minutos do primeiro tempo, abriu o placar para a Suécia, mas Romário, de bico, empatou para o Brasil, aos 2 do segundo tempo. O primeiro lugar assegurado. Agora era pegar os Estados Unidos nas oitavas de final.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva (Mazinho), Dunga, Zinho e Raí (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Suécia: Thomas Ravelli; Roland Nilsson, Pontus Kåmark, Patrik Andersson e Roger Ljung; Klas Ingesson, Stefan Schwarz (Håkan Mild) e Jonas Thern; Tomas Brolin, Henrik Larsson (Jesper Blomqvist) e Kennet Andersson. Técnico: Tommy Svensson.
Brasil 1 x 0 Estado Unidos
Stanford Stadium, Palo Alto (04/07/1994)
O confronto aconteceu em 4 de julho, Dia da Independência americana. Pouco expressiva no mundo do futebol até então, a seleção dos Estados Unidos fazia a sua principal partida na história. Por todo esse contexto, o Brasil encontrou muitas dificuldades e precisou suar bastante para avançar de fase. Para piorar, no final do primeiro tempo, aos 43 minutos, Leonardo foi expulso por cotovelada em Tab Ramos e deixou a Seleção Brasileira com um jogador a menos. Mesmo assim, aos 27 minutos do segundo tempo, a dupla Romário e Bebeto decidiu. O camisa 11 fez boa jogada pela meia direita e acionou o camisa 7, que bateu no canto direito de Tony Meola para marcar o único gol do jogo. Faltavam três passos para o tetra.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Cafu); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Estados Unidos: Tony Meola; Clavijo, Balboa, Lalas e Caligiuri; Dooley, Ramos (Wynalda), Sorber e Pérez (Wegerle); Cobi Jones e Stewart. Técnico: Bora Milutinovic.
Brasil 3 x 2 Holanda
Cotton Bowl, Dallas (09/07/1994)
Este confronto é considerado por muitos jogadores daquele grupo brasileiro como o mais emblemático da campanha. Brasil e Holanda voltavam a se enfrentar em um mata-mata de Copa do Mundo após 20 anos. Em 1974, na semifinal, os europeus haviam levado a melhor, o que gerava um sentimento de “dar o troco” por parte dos sul-americanos. “O jogo mais emblemático foi contra a Holanda, naquela quartas de final. Porque era um adversário muito forte, bem preparado, tinha experiência. Foi um time que, realmente, exigiu bastante. Mas a partida, aparentemente, estava indo para um caminho mais tranquilo, a gente estava ganhando de 2 a 0 e, de repente, eles vieram bem pra cima, empatando o jogo em 2 a 2. E vem aquele receio de quem vem de trás, empata e parece que vai passar. Mas daí com o gol do Branco a gente conseguiu aquela vitória, que realmente foi emblemática e muito importante para dar continuidade e chegar nessa final com mais confiança ainda”, destaca o ex-goleiro Taffarel.
Após um primeiro tempo equilibrado, a Seleção Brasileira abriu 2 a 0, com gols de Romário e Bebeto, aos 7 e 17 do segundo tempo. Mas do outro lado estava a qualificada seleção holandesa, que foi buscar o empate com Bergkamp e Winter, aos 19 e 31 minutos do segundo tempo. A vitória e, consequentemente, a classificação brasileira foi definida em golaço de falta de Branco, aos 36 minutos do segundo tempo. Na batida do lateral, Romário teve a inteligência e elasticidade para sair da frente da bola, que bateu na trave esquerda e morreu no fundo das redes. Faltavam dois passos para o tetra.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Holanda: De Goey; Aron Winter, Stan Valckx, Ronald Koeman e Rob Witschge; Jan Wouters, Frank Rijkaard (Ronald de Boer) e Wim Jonk; Marc Overmars, Dennis Bergkamp e Peter van Vossen (Bryan Roy). Técnico: Dick Advocaat.
Brasil 1 x 0 Suécia
Rose Bowl, Pasadena (13/07/1994)
O adversário era o mesmo da primeira fase. Era, até então, o único que havia conseguido parar os comandados de Carlos Alberto Parreira. Mais uma vez, o jogo foi complicado e decidido no detalhe, com o grande destaque da equipe. O gol da vitória do Brasil foi marcado só aos 35 minutos do segundo tempo. Romário, em meio aos zagueiros suecos, aproveitou cruzamento de Jorginho e cabeceou no canto direito de Ravelli. Depois de 24 anos, a Seleção Brasileira voltava a disputar uma final de Copa do Mundo.
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Suécia: Ravelli, Roland Nilsson, Patrik Andersson, Bjorkblund e Ljüng; Thern, Mild, Ingesson e Brolin; Dahlin (Rehn) e Kennet Andersson. Técnico: Tommy Svensson.
Brasil 0 (3) x (2) 0 Itália
Rose Bowl, Pasadena (17/07/1994)
Sob um calor de 38 graus, Brasil e Itália, até então tricampeões mundiais, buscavam o tetracampeonato. A tensão era inevitável. Mesmo com bola na trave em chute de Mauro Silva e falha de Pagliuca, e chances desperdiçadas dos dois lados, o empate sem gols persistiu no tempo normal e na prorrogação. Com isso, a decisão foi para os pênaltis.
Pela Itália, Baresi chutou para fora e Massaro parou em Taffarel. Arbertini e Evani marcaram. Já pelo Brasil, Márcio Santos parou em Pagliuca. Romário, Branco e Dunga fizeram. Baggio tinha a responsabilidade nos pés de converter e manter a série. Porém, o camisa 10 isolou. A Seleção Brasileira, depois de 24 anos, voltava a ser campeã do mundo, o tetracampeonato. Consagração para a geração de Dunga e Romário, bastante contestada quatro anos antes, na Copa de 1990.
Brasil: Taffarel; Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Itália: Pagliuca, Mussi (Apolonni), Baresi, Maldini e Benarrivo; Dino Baggio (Evani), Donadoni, Berti e Albertini; Roberto Baggio e Massaro.