Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, assumiu oficialmente o comando da Seleção Brasileira nesta segunda, 20 de junho de 2016. Em 2014 imaginou que pudesse ser chamado, mas não veio o convite. "Eu estava na poltrona, esperando e não ocorreu. Veio agora, numa fase turbulenta, mas é da vida. E eu considero que estou no meu melhor momento, apesar de ser um técnico em permanente formação". A Seleção vem de duas campanhas ruins da Copa América e está fora da zona de classificação nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.
O treinador disse que sabe da responsabilidade que é treinar o Brasil, mas que são em ocasiões assim, complicadas, que a coragem tem que aflorar e tomar uma decisão. Questionado a respeito das suas posições políticas sobre a Seleção - anteriormente havia dito ser contra Marco Polo Del Nero no comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) - Tite respondeu que só aceitou por ter recebido "autonomia para direcionar o Brasil na busca de excelência e transparência do futebol".
"É isso que eu sei fazer, é essa contribuição que eu posso dar. Me reformatar e me reorganizar quanto técnico. E a maneira que eu tenho de contribuir é ter minha autonomia para desenvolver o futebol. É uma responsabilidade muito grande. Democratização, transparência, modernização", repetiu.
O novo comandante do Brasil salientou que, em tese, vai aproveitar algum legado de Dunga. "Dentro do que eu penso de futebol, do que eu planejo, sim, aproveita-se. Vou buscar as coisas boas que aconteceram". Ele avisou ainda que vai pedir um dia para conversar com os técnicos dos clubes que eventualmente possam ter jogadores da Seleção. " Quero saber como o atleta está fisicamente, psicologicamente, de que maneira, que funções pode ajudar o Brasil".
Foco é classificar nas Eliminatórias
Fora da zona de classificação para a Copa do Mundo, Tite disse que o foco é conseguir a vaga. Questionado sobre o risco de ficar de fora, o técnico respondeu que, sim, existe, mas que o Brasil tem potencial para crescimento. "As equipes se formam, consolidam e crescem, e nós temos qualidade para isso", declarou.
Rio 2016
Tite não quis assumir o time olímpico, pois, segundo ele, seria fácil, se perdesse dizer que foi em cima da hora e por outro lado, se vencesse, receber os "louros".
Seleção com a cara de Tite
Não tem que ter a cara do Tite, tem que ter a cara do Brasil e da qualidade individual dos atletas. Com a competitividade. Sistema que potencialize, não é minha cara, é a nossa, da característica dos atletas. A priori, muita transição e rapidez com base da Seleção, afora qualidade técnica. Ajustar, potencializar, essa é minha função.
Integração com times brasileiros
Quero acompanhar trabalho dos técnicos e vou me convidar para assistir, sem intervir, aos treinos dos clubes. Acompanhar treino, conversar com técnico e acompanhar jogo para mensurar. Técnico vai me passar o que o atleta tem e pode executar. Treinos eu não vou conseguir fazer, esse é meu grande desafio. Outro é montagem da equipe, um jogador que possa executar função e se sentir bem.
Ideia de rodízio de capitães
Podemos divergir de ideias, é da vida, mas com respeito. Todos têm uma responsabilidade em cima da performance, todos vencem, essa é a grande marca de uma equipe de futebol. Essa mudança de capitania traz isso. Há diversos perfis de liderança: técnica, comportamental, o que consegue externar de forma pública as ideias, o exemplar. Vejo ontem a final da NBA. Um toco do LeBron James determina a sequência do Irving, a marcação de um com a qualidade do outro. Senso de equipe. Nós precisamos ter senso de equipe. Aí sim, seja ele num clube qualquer ou na Seleção.
Esquema
Questionado sobre a maneira de jogar do Brasil, Tite foi direto: " Será um time de triangulações, troca de passes e infiltrações. Uma equipe que, ao perder a bola, saiba retomar com intensidade variada, alta, média ou baixa e que tenha uma bola parada consistente".
Homenagem para Dona Ivone
A mãe do treinador, dona Ivone, recebeu uma singela homenagem da CBF. Das mãos do presidente Marco Polo Del Nero, Tite recebeu uma camisa da Seleção com o nome da mãe gravado nas costas.
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