A partir das 21h (hora de Brasília) desta sexta-feira, com a cerimônia de abertura apresentada pelo Cirque du Soleil, será inaugurado oficialmente o último grande evento esportivo antes dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, ano que vem. Por isso, o Brasil tem nos Jogos Pan-Americanos de Toronto um grande teste para sua capacidade esportiva.
Na Olimpíada, o objetivo, considerado ousado, é ficar no Top 10. A meta estipulada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para o Pan é terminar a competição entre os três primeiros no quadro de medalhas, brigando pelo segundo lugar com Canadá e Cuba — o primeiro lugar sempre é dos Estados Unidos. Para isso, o Brasil tem no Canadá a sua maior delegação já enviada a um evento esportivo no exterior: 590 atletas.
Responsável pelo segundo maior número de medalhas do Brasil na história do Pan (151, contra as 160 do atletismo), a natação foi prejudicada pelo calendário desta vez. O Mundial de Kazan, na Rússia, começa no fim de julho, e este é o motivo do maior desfalque brasileiro no Pan, Cesar Cielo. Mas o país será representado pelo “Mr. Pan”, Thiago Pereira. O nadador de 29 anos tem no currículo 18 medalhas em Pan-Americanos — 12 de ouro, três de prata e três de bronze. “É um ano de enorme importância para nós, para vermos onde estamos e o que precisamos trabalhar no treino, de olho nos Jogos do Rio-2016”, afirma.
Escolhido para ser o porta-bandeira da delegação nesta sexta-feira, Thiago tem metas ousadas: alcançar Gustavo Borges como o atleta que mais vezes subiu ao pódio pelo Brasil (19 medalhas) e quem sabe buscar o recordista absoluto dos Jogos, o ex-ginasta cubano Erick López, que tem 22 medalhas. Ele disputará oito provas. “Não há maior honra para um atleta que carregar a bandeira do seu país num evento da importância dos Pan-Americanos.”
A Rede Record detém os direitos de transmissão do Pan.
Brasil vai bem na água
Nas disputas em andamento antes mesmo da cerimônia de abertura, o Brasil vai bem. Na quinta-feira, começaram as competições do nado sincronizado. As brasileiras Luisa Borges e Maria Eduarda Micucci de Souza terminaram a etapa de Rotina Técnica em quarto lugar, atrás de Canadá, México e Estados Unidos, com 80,9667m pontos. Nesta sexta-feira, o dueto brasileiro tentará ultrapassar o americano na etapa Rotina Livre.
Mas o Brasil está tendo sucesso mesmo é no polo aquático. Na quinta-feira, o time masculino conseguiu a terceira vitória em três jogos, garantindo o primeiro lugar do grupo na fase inicial. O Brasil fez 22 a 9 no México, com sete gols de Guilherme Gomes, e cumpriu o dever de escapar de um confronto com os Estados Unidos na semifinal. A fase decisiva será na próxima segunda-feira, contra Cuba ou Argentina.
No feminino, o Brasil venceu a Venezuela por 18 a 1. Nesta sexta, tenta fazer mais saldo contra Porto Rico, na tentativa de ficar à frente do Canadá, com quem empatou na estreia e que também deve ganhar seus outros jogos.
Gaúchos na Briga por ouro
Algumas das esperanças de medalha do Brasil vêm do Rio Grande do Sul. Especialmente no judô, onde Mayra Aguiar e Felipe Kitadai, da Oi/Sogipa, têm grandes chances de ouro. Maria Portela também busca o pódio. Na patinação, Marcel Stürmer tenta um recorde: tornar-se o primeiro brasileiro tetracampeão dos Jogos Pan-Americanos. “Tento administrar a expectativa”, afirmou o medalhista de ouro em Santo Domingo-2003, Rio-2007 e Guadalajara-2011. O atleta natural de Lajeado fez parte da sua preparação na Ulbra, em Canoas. Nos esportes coletivos, Fê Garay briga pelo ouro no vôlei feminino. Orlando Luz (tênis), Pedro Burmann (atletismo), Alexandre Paradeda e Geórgia Silva (vela) são outros nomes para conferir.
O Pan mais caro da história
Aém do Canadá, outros 40 países estarão representados em Toronto por aproximadamente 7,5 mil atletas. De acordo com a imprensa local, será a edição mais cara dos Jogos Pan-Americanos, a um custo de 2,5 bilhões de dólares canadenses (cerca de R$ 6,3 bilhões). Será a terceira vez que os canadenses recebem o Pan — as outras foram em Winnipeg, em 1967 e 1999. Não se espera um clima de carnaval esportivo, como no Rio de Janeiro em 2007, mas Toronto está enfeitada para o evento, e autoridades calculam que 250 mil visitantes passarão pela cidade nos próximos 17 dias. Na abertura, hoje, 60 mil pessoas são esperadas no Rogers Centre, mesmo local do encerramento, dia 26, ao lado da CN Tower, principal ponto turístico local.
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Evento em Toronto é visto pelos atletas brasileiros como preparação para os Jogos de 2016