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Time conjunto de hóquei das Coreias faz história e já tem pedidos de Nobel da Paz

Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno

Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno
Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno Foto : Ed Jones / AFP / CP
A seleção de hóquei no gelo formada por jogadoras norte e sul-coreanas perdeu nesta terça-feira novamente por 8 a 0 nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang. O placar elástico da partida contra a Suécia, no entanto, ficou em segundo plano mais uma vez. Assim como já havia ocorrido na estreia, quando a equipe perdeu para a Suíça, a partida tornou-se o centro das atenções por transpor a barreira do esporte e ser ponto central na tentativa de renovação diplomática entre as duas Coreias, tecnicamente ainda em guerra após o armistício de 1953.

Nesta terça, por exemplo, apesar da derrota avassaladora para a Suécia, o clima era festivo na arena do hóquei no gelo em Gangneung. Entre os cantos da torcida, o que mais chamou atenção foi o de “nós somos um”. O time é formado por 23 atletas sul-coreanas e 12 norte-coreanas.

Uma prova de que a equipe conjunta de hóquei no gelo da Coreia do Norte e da Coreia do Sul não se limita apenas ao esporte é que uma importante integrante do conselho executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) sugeriu no domingo que o time seja nomeado para o Prêmio Nobel da Paz. “Será algo para reconhecer o sacrifício que fizeram para ajustar suas competições”, disse a americana Angela Ruggiero, quatro vezes campeã mundial de hóquei no gelo e medalha de ouro olímpica. “Como alguém que competiu em quatro Olimpíadas e sabe que isso não é sobre você, sua equipe ou seu país, eu vi o poder do que foi realizado”, disse.

Outra demonstração de que o placar do jogo pouco importava foi dada por Sarah Murray, treinadora da equipe formada por jogadoras norte e sul-coreanas. “É uma experiência de aprendizagem. Nunca estivemos em uma Olimpíada antes, nunca jogamos contra equipes de alto nível. Então, cada vez que perdemos é apenas um possibilidade de melhorar”, disse.

Essa é a primeira vez que uma equipe “intercoreana” compete em Jogos Olímpicos. Na quinta-feira, o time enfrentará o Japão. Na avaliação de Kim Sung-han, ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul entre 2012 e 2013, a vizinha do Norte já desponta como favorita a ganhar a medalha mais importante dos Jogos Olímpicos de Inverno: o ouro diplomático. “A Coreia do Norte parece que vai ganhar esse ouro. Sua delegação e atletas estão recebendo todos os holofotes”, disse.

Especialistas em política externa, no entanto, alertam para o fato de que o regime do líder norte-coreano Kim Jong-un estar obtendo reconhecimento internacional e legitimidade sem fazer concessões ou desistir de suas armas nucleares. A Coreia do Norte enviou 22 atletas e uma torcida com 230 membros para os Jogos de Pyeongchang.

Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un, acompanhou por três dias a delegação norte-coreana nos Jogos e no sábado se reuniu em Seul com o presidente sul-coreano Moon Jae-in. Ela aproveitou o encontro para convidar Moon Jae-in para se reunir com Kim Jong-un em Pyongyang “o mais breve possível”. Até o momento, aconteceram apenas dois encontros entre os líderes das Coreias; ambos em Pyongyang nos anos 2000 e 2007 envolvendo o falecido líder e pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e os ex-presidentes do Sul Kim Dae-jung e Roh Tae-woo.