O governo togolês enviou um avião a Angola para trazer de volta a seleção de futebol do país, vítima de um ataque de separatistas, a poucas horas da estreia da Copa Africana de Nações (CAN), marcada para a noite deste domingo. "A delegação togolesa é aguardada hoje em Lomé", a capital do Togo, declarou neste domingo o primeiro-ministro do Togo, Gilbert Fossoun Houngbo.
Entretanto, os jogadores continuam em Cabinda, onde seu comboio foi atacado sexta-feira por separatistas. A Confederação Africana de Futbeol (CAF) e os organizadores angolanos da CAN-2010 estão tratando de convencer o Togo a ficar e disputar o torneio. "O ônibus que deve nos levar ao aeroporto está pronto para partir, assim como os jogadores", declarou à AFP o treinador do Togo, Hubert Velud, destacando que a situação muda de hora em hora.
As três partes envolvidas estão atualmente negociando em um hotel de Cabinda. Na noite de sábado, os jogadores expressaram o desejo de participar da CAN "em homenagem" aos dois membros da delegação mortos no ataque de sexta. "Entendemos a postura dos jogadores que queriam expressar uma forma de vingar seus colegas mortos, mas seria irresponsável da parte das autoridades togolesas deixá-los continuar", afirmou Houngbo.
Ônibus metralhado na sexta-feira
Na sexta-feira, o comboio dos jogadores da seleção togolesa foi metralhado durante 20 minutos quando acabava de cruzar a fronteira entre Congo e Angola. O ataque foi reivindicado pelas Forças de Libertação do Estado de Cabinda-Posição Militar (FLEC-PM), nascido em 2003 de uma dissidência do principal movimento separatista da região, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC).
"As armas vão continuar falando", ameaçou neste domingo Rodrigues Mingas, o secretário-geral das FLEC-PM, em entrevista concedida por telefone à AFP no Luxemburgo. "Os ataques vão continuar porque o país está em guerra e porque Issa Hayatou (o presidente da Confederação Africana de Futebol) é teimoso" e decidiu manter os jogos em Cabinda, prosseguiu.
Neste contexto tenso, o presidente de Gana, John Atta-Mills, exigiu uma "segurança reforçada" para os jogadores que vão participam da CAN-2010. A seleção de Gana integra o Grupo B junto com o Togo, a Costa do Marfim e o Burkina Faso. Os jogos desta chave devem ser disputados em Cabinda.
O território de Cabinda, rico em petróleo, é o cenário de conflitos separatistas desde a independência da ex-colônia portuguesa, em 1975. Imprensada entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Congo, ela fica a 50 km de Angola. O ataque de sexta deixou pelo menos dois mortos. O assessor de comunicação da equipe togolesa, Stanislas Ocloo, e o preparador de goleiros, Abalo Amelete, não resistiram aos ferimentos e faleceram na manhã de sábado.
Um balanço anterior, divulgado pela Federação Togolesa de Futebol (FTF), também mencionava a morte de um motorista. Porém, segundo a imprensa estatal angolana, o homem sobreviveu e se encontra neste momento na UTI.
O goleiro togolês Kodjovi Obilalé, ferido no abdome, foi operado na noite de sábado em uma clínica particular de Johannesburgo e seu estado é "estável". "A operação correu bem. O paciente está numa boa condição geral", declarou um dos cirurgiões, Elias Degiannis.
Enquanto isso, os moradores de Luanda se preparam para acompanhar, no novo estádio 11-Novembro, a cerimônia de abertura da CAN-2010, que contará com a presença do presidente angolano, José Eduardo dos Santos. Angola e Mali farão em seguida o jogo de abertura.
Togo quer retorno dos jogadores e separatistas fazem ameaças
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