O episódio ocorreu minutos antes do jogo decisivo contra o Santos pela Copa do Brasil, na noite dessa quarta-feira, na rua onde estão situados os bares mais próximos da Arena, local onde gremistas costumam se reunir antes e depois dos jogos. Torcedores enviaram ao Correio do Povo relatos de uma suposta truculência da corporação.
“Vi uma comoção e os brigadianos correndo para um bar, de onde saem oito ou mais policiais arrastando um torcedor. Não sei o motivo”, contou o gerente de TI Marcelo Minghelli, de 36 anos.
Segundo ele, o grupo de torcedores vaiou a ação da BM. “Após isso, ocorreu o que sempre acontece: vaias e gritos contra o abuso. Com isso começam a chegar mais policiais a pé, de viatura e a cavalo, de armas em punho.
Em segundos, começam os disparos de bala de borracha. Indiscriminadamente”, completou.
O advogado Adriano Tartari de 37 anos, contou que ficou ferido na confusão. “Levei um tiro de bala de borracha no nariz, a um centímetro do meu olho esquerdo. Registrei ocorrência ontem mesmo e hoje fiz exame de lesão corporal com o perito técnico. Estou muito bem, mas poderia nesse momento estar cego de meu olho esquerdo sem qualquer razão, pelo simples fato de ter sido um dos azarados que levou um tiro sem saber porque e de onde veio”, lamentou.
Os depoimentos dos torcedores indicam que a BM teria tentado dispersar os torcedores, que estavam aglomerados na rua. “Estávamos todos em frente ao bar cantando e pulando, quando se aproxima a viatura e todos que estavam dentro dela desceram já esculachando o pessoal. Um policial disse: 'Tu não viu a viatura, não?' O torcedor respondeu: ‘Não vi, não tô fazendo nada’. E assim começaram a pressionar o torcedor, que não reagiu”, relatou Érisson Oliveira.
De acordo com o torcedor, os policiais militares voltaram a fazer questionamentos a um jovem que estava no grupo. “Os outros brigadianos já saíram batendo com os cassetetes em todo mundo que estava ali em volta. Alguns torcedores tentaram ficar parados no mesmo lugar que estavam, mas não deu. A truculência estava tão grande que quem ficasse perto deles, eles batiam. Não estavam nem aí se era criança, mulher, pai de família”, protestou.
Acompanhado da esposa e de um amigo, o torcedor Thiago Rodrigues contou que também estava em um bar próximo a um grupo de gremistas, quando uma viatura da BM surgiu e dispersou os torcedores. “Como de costume, em qualquer estádio de futebol e suas imediações, o fluxo de pessoas se torna grande, calçadas e a própria via pública acabam por se aglomerar. Nesse momento, surge uma viatura da BM e param no meio da via. Descem cinco policiais, um deles armado. E com toda prepotência do mundo, cercam um rapaz e começam a dizer palavras do mais baixo calão, falando que quando ver um policial caminhando tem que sair da frente”, contou.
Alguns torcedores, entretanto, optaram por não se identificar. “Ouvi alguns estampidos. Por ser por volta de 21h30min, pensei que poderia ser foguetório. Mas, quando olho pra trás, vejo um corre-corre generalizado. Tentei manter a calma quando a correria começou a vir para o nosso lado. Vi que era aproximadamente dez policiais atirando balas de borracha para todo o lado. Não vi e nem ouvi nenhuma confusão entre torcedores ou hostilidade, até a BM entrar em ação. Minha afilhada começou a chorar e resolvi sair dali”, relatou um homem que preferiu não revelar o nome.
Procurada pela reportagem do Correio do Povo, a corporação prometeu se manifestar sobre o episódio por meio do Comando de Policiamento da Capital (CPC).