Enquanto os olhos do restante do planeta estão voltados para a Copa do Mundo 2026, na América do Norte, o Brasil começa a contagem regressiva dos últimos 365 dias para a Copa do Mundo Feminina 2027, que acontecerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Nesta quarta-feira, em Miami, a Fifa celebrará o marco de um ano com anúncios importantes sobre o Mundial feminino, incluindo mais informações sobre a distribuição dos jogos.
Esta será a primeira Copa Feminina no Brasil e também a primeira na América do Sul. A competição, que teve sua primeira edição em 1991, já foi sediada pela China, Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França e Austrália e Nova Zelândia.
Porto Alegre, uma das oito cidades-sede do torneio, conta com o legado da Copa do Mundo de 2014 a seu favor. Segundo a secretária extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027, Débora Garcia, ao longo dos próximos meses, serão definidos e implementados diversos planos relacionados à mobilidade, segurança, voluntariado, Fan Fest, legado, qualificação turística e operação dos espaços oficiais do torneio.
“Desde a confirmação, estamos trabalhando em conjunto com a FIFA, a CBF, o Governo do Estado e diversas secretarias municipais para garantir que a cidade esteja preparada para receber o evento”, afirma a secretária. “Já contamos com uma rede hoteleira com experiência comprovada na realização de grandes eventos esportivos e culturais, além de uma infraestrutura de mobilidade consolidada. Também já iniciamos os planejamentos relacionados à operação da cidade em dias de jogos.”
A secretária foi convidada pela Fifa para participar do evento em Miami e realizar uma visita técnica em uma Fan Fest da Copa do Mundo 2026, de forma a observar boas práticas relacionadas à experiência do torcedor, ativações urbanas e integração entre cidade e evento que possam ser aplicadas em Porto Alegre.
Fifa espera recorde de público
“Ainda é cedo para apresentar uma estimativa oficial [de visitantes esperados] para Porto Alegre, já que a quantidade de jogos e a distribuição das seleções ainda não foram definidas pela FIFA”, pontuou a secretária. “No entanto, considerando as experiências recentes das Copas do Mundo Femininas e o potencial turístico do evento, a expectativa é de uma movimentação significativa de visitantes nacionais e internacionais.”
Em conversas com a gestão do Inter, a Fifa tem sido bastante otimista quanto à projeção de torcedores para o Mundial feminino. “A Fifa tem mostrado muito interesse em oferecer ingressos a preços acessíveis para que essa seja a Copa Feminina com maior número de torcedores nos estádios”, afirma o vice-presidente de administração colorado André Dalto. “Eles querem quebrar recordes”.
Na Copa do Mundo de 2014, Porto Alegre recebeu nove seleções em cinco jogos, com uma média de 42.993 torcedores por jogo. Na época, o governo do Rio Grande do Sul estimou que 350 mil turistas passaram pelo Estado, sendo 160 mil estrangeiros, movimentando aproximadamente R$ 1 bilhão.
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Beira-Rio: o coração da Copa do Mundo Feminina em Porto Alegre
Sede do Mundial de 2014, o Beira-Rio já atende muitas das exigências da Fifa para receber competições internacionais. Para receber a Copa Feminina de 2027, ainda são necessárias duas adaptações, uma nas arquibancadas e outra no gramado.
A Fifa exige que os estádios-sede tenham cadeiras em toda a arquibancada. Para o Beira-Rio, isso significa recolocar as cadeiras no setor do Portão 7, que foram retiradas ao final de 2018, a pedido da torcida organizada. “Não é um processo simples, então alguns ajustes já vão começar a ser feitos no início do ano. Mas vamos tentar segurar para colocar as cadeiras o mais próximo possível do torneio”, explica o vice-presidente.
A entidade máxima do futebol exige que os estádios-sede sejam cedidos para o torneio 28 dias antes da primeira partida a ser disputada no local. No entanto, o Inter (e outros clubes que cederão espaço à Copa) estão em conversas com a Fifa para reduzir esse prazo, possivelmente para 14 dias. Embora não haja acordo formalizado nesse sentido, existe uma expectativa para que essa ideia se concretize.
“A Fifa tem sido bastante flexível quanto à cessão dos estádios”, revela o dirigente. “E isso ajudaria na questão do mando de campo no Brasileirão. O campeonato para durante o torneio, mas ainda havia alguns jogos em que se discutia a possibilidade de inversão do mando de campo. Ainda tem uma Data Fifa um pouco antes do torneio, então, se isso se concretizar, é possível que a inversão do mando nem seja necessária. Ou então, que isso aconteça em apenas um jogo.”
Outra questão é o gramado. O padrão da Fifa prevê o uso de grama natural entrelaçada em uma malha sintética posicionada sob o gramado. O objetivo do entrelaçamento é dar mais resistência ao gramado, de forma que ele não seja prejudicado na entrada de elementos mais pesados, como um carro-maca.
“Antes o estádio usava essa malha sob a grama, mas com as enchentes ela acabou se perdendo. Quando terminar o Campeonato Brasileiro, uma nova malha sintética, mais moderna, vai ser colocada”, conta o VP André Dalto. “O gramado do Beira-Rio foi muito bem avaliado em todas as vistorias, então talvez essa parte do entrelaçamento não seja necessária.”
Segundo o dirigente, todas as cidades-sede receberão no mínimo cinco partidas da Copa do Mundo Feminina de 2027. Ainda que a tendência da Fifa seja priorizar polos como São Paulo e Rio de Janeiro por questões logísticas, o Inter espera que o Beira-Rio receba pelo menos seis partidas da competição.
Equipes classificadas
Enquanto o Mundial masculino hoje conta com 48 seleções, a edição feminina ainda mantém o formato de 32. As vagas diretas são distribuídas da seguinte forma: seis para a Ásia, quatro para a África, quatro para as Américas do Norte, Central e Caribe, duas para a América do Sul (além do Brasil), uma para a Oceania e 11 para a Europa. Três outras seleções se classificam na repescagem.
Além da Seleção Feminina, automaticamente classificada como nação-sede, estão garantidas: Alemanha, Argentina, Austrália, China, Colômbia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Dinamarca, Espanha, Filipinas, França, Japão e Nova Zelândia.