Depois de ontem, se depender da energia trocada com o público, Sandro Dias poderá ser lembrado não mais pelo seu apelido conhecido mundialmente. Ao tornar realidade o sonho que permaneceu durante décadas no imaginário dos porto-alegrenses o skatista carinhosamente apelidado de Mineirinho bem que poderia passar a ser chamado de Gauchinho. Quando ele desceu em quatro momentos a megarrampa do Centro Administrativo Francisco Ferrari (CAFF) e quebrou dois recordes mundiais provavelmente dezenas de ‘guris’ de 50 anos como ele se sentiram recompensados.
A expectativa do público estava acumulada há mais de um mês, quando surgiu a notícia da ação patrocinada pela Red Bull em parceria com o Governo do Estado. E os gaúchos não decepcionaram. Dezenas de pessoas estavam presentes para acompanhar o momento histórico para a da cidade que o paulista conheceu nos anos 1980, quando ainda era um skatista amador.
Pouco depois do meio-dia, Sandro se posicionou para a primeira descida com a marca de 55 metros. Ele fez valer o preparo de mais de uma década e desceu sem dificuldades a estrutura do prédio. Logo em seguida, retornou para a marca de 60m, que mais pareceram trinta tamanha a facilidade do drop. A descida mais esperada sem dúvidas era a dos 65m, principalmente pela expectativa de quebra de recorde mundial. E ela veio. Ao descer com sucesso, Sandro Dias se tornou o primeiro skatista a dropar' uma altura superior a 60 metros na história da modalidade. Mas Mineirinho queria mais.
Crianças em festa e adultos preocupados
Pouco tempo depois, retornou para a quarta e última descida de uma altura de 70m. A ansiedade do público variava de acordo com a idade. As crianças pulavam e gritavam como se estivessem acompanhando um filme, enquanto os mais velhos mantinham a preocupação de costume com a segurança. Mesmo assim, ao fim da última descida, no que Sandro tocou o solo com os pés firmes no skate e quebrou pela segunda vez o recorde mundial, todos voltaram a respirar aliviados.
“Um sonho que eu consegui realizar. Estou satisfeitíssimo. Provou que a gente consegue se superar a hora que a gente quiser. Pelo menos eu parei com acerto e não com erro. Se parasse com erro seria muito pior. Essa é a glória”, concluiu Sandro ao fim da ação.