Esportes

Universidade britânica estuda treinamento ocular para disputa de pênaltis

Pesquisadores disseram que a prática permite aos estudantes ser mais precisos em seus chutes

Buffon defende pênalti e classifica a Itália na Eurocopa
Buffon defende pênalti e classifica a Itália na Eurocopa Foto : Giuseppe Cacace / AFP / CP
O Departamento de Esportes e da Saúde da Universidade britânica de Exter pôs em andamento uma experiência de treinamento ocular ("Quiet-Eye Training") para tentar melhorar cientificamente as opções de se ganhar uma disputa de pênaltis numa partida de futebol. Segundo o pesquisador Greg Wood, o treinamento, base de concentração e de resistência à pressão psicológica, está na essência de tudo. E por isso criou o treinamento dos olhos, em colaboração com seu colega, Mark Wilson.

Os dois obrigaram jogadores de sua universidade a olhar sistematicamente, durante várias semanas, os ângulos direito e esquerdo do gol, um e outro alternadamente, antes de cada chute de pênalti. Resultado: seus alunos cometeram menos 50% de erros dos que os que não fizeram o exercício.

Segundo Wood, o treinamento permite aos estudantes ser mais precisos em seus chutes, em grande medida porque reduz a ansiedade e dá mais confiança ao controlar melhor as distâncias e manter a mente ocupada nos extremos do gol e não no goleiro. Para o pesquisador, o último recurso do goleiro em um pênalti, onde não há nada a perder, está em tentar romper a concentração do lançador, para desestabilizá-lo.

"Tudo o que um goleiro puder fazer para chamar a atenção do cobrador (uniforme ou luvas de cores vivas, por exemplo) joga a seu favor", explica Wood. "Por exemplo, quando a gente viaja de carro e se vê algo á esquerda, em seguida tem a tendência de girar o volante na mesma direção. É incrível o número de pênaltis chutados no centro, na direção do goleiro, poque ele tem tido êxito na sua tentativa de desestabilizar", acrescentou.

Se o cobrador de um pênalti pudesse se isolar em uma bolha, com uma concentração total, então o fator que determinaria seu êxito ou seu fracasso seria a velocidade do chute. Segundo matemáticos da Universidade John Moore de Liverpool, o pênalti perfeito deve ser chutado a uma velocidade compreendida entre 90 km/h e 104 km/h. Se for mais rápido, faltará precisão. Mais lentamente, dará tempo ao goleiro reagir. A partir daí, os raciocínios científicos começam a encontrar limites.

Nesse domingo, durante o confronto entre Itália e Inglaterra na Eurocopa, o goleiro britânico Joe Hart tentou desestabilizar os jogadores italianos: fez caretas e movimentou os braços, mas seu time perdeu. Do outro lado, o italiano Gianluigi Buffon foi o herói da partida, defendendo o pênalti de Ashley Cole, e garantindo a classificação da 'Azzurra'.

O 'show' de Hart tampouco serviu para deixar nervoso Andrea Pirlo, que conseguiu marcar de 'cavadinha', a uma velocidade sensivelmente inferior aos 100 km/h recomendados pelos cientistas de Exeter.


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