Esportes

Uruguaios e gaúchos se reúnem para torcer para o Peñarol em Porto Alegre

Até colorados esquecem a eliminação e torcem para o time do país vizinho

Uruguaios e gaúchos se reúnem para ver o Peñarol em Porto Alegre
Uruguaios e gaúchos se reúnem para ver o Peñarol em Porto Alegre Foto : Tiago Medina / Especial CP
Montevidéu fica a cerca de mil quilômetros de Porto Alegre. Mas diversos torcedores fizeram com que essa distância fosse reduzida a nada na noite desta quarta-feira, em que o Peñarol enfrenta o Santos, em São Paulo, disputando o sexto título da Libertadores da sua história. À base de parrillas e cervejas – de marcas uruguaias – eles se concentraram em bares e restaurantes temáticos inspirados no país vizinho e, claro, vestem o preto e amarelo.

• Acompanhe o jogo com comentários direto da concentração de torcedores

Ontem adversários, hoje na mesma torcida

Parte desses torcedores se concentra no restaurante El Viejo Panchos, em Porto Alegre. Como se fosse um estádio de futebol, os primeiros torcedores começaram a chegar por volta das 20h, quase duas horas antes de a bola rolar no estádio Pacaembu. “É para garantir um bom lugar”, justifica o advogado Matheus Vidal. Ele chegou com a camiseta do Peñarol abrigada por um casaco do Inter. A eliminação nas oitavas de final em pleno Beira-Rio é coisa do passado. “Não ficou mágoa alguma”, garante.

Gaúcho de nascimento, Vidal jura que não é torcedor por ocasião. “A camisa que visto trouxe de Montevidéu há 10 anos” – revela – “e já que o meu clube de coração foi eliminado torço por um time que está se reerguendo”, acrescenta. Ao enfrentar o Santos neste ano, o Peñarol encerrou um jejum de 24 anos desde a última vez que havia chegado a uma final de Libertadores.

“Agora todo mundo torce para o Peñarol”

Por sinal, nessa última decisão, o empresário Marcel Meyer – sentado duas mesas ao lado de Vidal – esteve presente. “Em 1987, o Peñarol foi campeão e Diego Aguirre (atual técnico da equipe uruguaia) era jogador”, ressalta. O hoje treinador carbonero marcou até gol na decisão, contra o América de Cáli.

Nascido em Montevidéu, mas morador de Porto Alegre há 30 anos, o empresário divide as paixões clubísticas idênticas ao advogado: Inter e Peñarol. “Nem consegui ir no jogo das oitavas de final aqui. Olhei as duas camisetas e fiquei na dúvida sobre qual vestir.”

Meyer diverte-se vendo a torcida crescente por seu time na Capital. “Agora todo mundo torce para o Peñarol. Acho que uns 90% dos gaúchos estão com a gente hoje”, projeta, que costuma ir a restaurantes tipicamente uruguaios para acompanhar os jogos do Peñarol.

Contudo, ele não esconde um certo orgulho de falar da retomada do futebol uruguaio. Citando episódios históricos e resultados recentes das seleções sub-17, sub-19 e, claro, da principal, explica: “É todo um contexto. A economia e o futebol estão crescendo juntos e o time mantém a garra, só não tem mais aquela violência dos anos 1970”. Meyer só fica em dúvida numa questão: “O placar vai ser 1 a 0, mas não sei se o Martinuccio ou o Olivera vai marcar”, confia.

Bookmark and Share