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Valcke nega participação no escândalo de corrupção da Fifa

Secretário-geral é acusado de ter pago 10 milhões de dólares de propina em compra de votos

Secretário-geral é acusado de ter pago 10 milhões de dólares de propina
Secretário-geral é acusado de ter pago 10 milhões de dólares de propina Foto : Fabrice Cofrini / AFP/ CP
O secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, negou nesta quarta-feira denúncias do New York Times ao afirmar que "não tem culpa" no enorme escândalo de corrupção que abala a Fifa. O jornal americano acusa o dirigente francês de ter efetuado o pagamento de 10 milhões de dólares de propina a Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, como retribuição pelo voto na África do Sul para sediar a Copa do Mundo de 2010.

"Não tenho nenhum motivo para dizer que deveria deixar de ser o secretário-geral, porque não tenho nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa. Não preciso justificar minha inocência", explicou Valcke em entrevista à rádio francesa France Info.

"Eu sempre disse que eu sou apenas o secretário-geral de 'Sepp' Blatter. Haverá um novo presidente da Fifa em 2016, e o presidente costuma escolher seu próprio secretário-geral", acrescentou o francês, ao ser perguntado sobre seu futuro.

"Em um determinado momento, a Fifa recebeu uma carta do governo sul-africano pedindo para retirar dez milhões de dólares do orçamento do comitê organizador da Copa do Mundo de 2010, para ser usada no programa Diaspora Legacy (programa de desenvolmimento do futebol no Caribe, como parte do legado da Copa)", justificou o dirigente, repetindo os argumentos usados na terça-feira pela Fifa, poucas horas da renúncia do presidente Joseph Blatter.

"Este fundo era gerido pelo presidente da Concacaf, Jack Warner, por isso a verba foi enviada em contas indicadas por Jack Warner", esclareceu.

"Não tenho o poder de autorizar um pagamento, ainda mais um pagamento de dez milhões, quando provém de uma conta quye não é da Fifa. Esta carta foi para o presidente da comissão de finanças (na época, o argentino Julio Grondona, falecido no ano passado).

Depois, os sul-africanos precisam confirmar a decisão de retirar dez milhões de euros do orçamento, e Jack Warner, que também era vice-presidente de finanças precisava aceitar. Julio Grondona deu seu visto e validou a transferência", completou Valcke.

A suposta propina paga a Warner é apenas uma das muitas suspeitas de corrupção que levaram a justiça americana a indiciar nove dirigentes, sete deles sendo presos em Zurique, e cinco executivos de empresas de marketing, desencadeando um dos maiores escândalos da história do futebol.