Pitlane: confira a retrospectiva em fotos do mais jovem bicampeão
Neste domingo, em Suzuka, o pole position Vettel teve bastante trabalho na largada. Ele chegou a jogar o carro para cima de Button, que tinha saído na segunda posição, para poder manter a liderança. Mas, na segunda rodada de parada nos boxes, na altura da 20ª volta, o inglês da McLaren conseguiu assumir a ponta ao retornar na frente do alemão da Red Bull, que caiu para o segundo lugar.
Na terceira rodada de parada nos boxes, na altura da 35ª volta, Vettel perdeu mais uma posição, dessa vez para o espanhol Fernando Alonso, da Ferrari. E, como aquele terceiro lugar já era mais do que suficiente para lhe dar o título antecipado, o alemão não forçou mais o ritmo. Assim, passou a parte final da corrida só esperando o momento de cruzar a linha de chegada e comemorar o bicampeonato.
Button, o único que ainda podia impedir o título de Vettel, acabou vencendo o GP do Japão e somou a sua terceira vitória na temporada. Assim, ele se consolidou como vice-líder do campeonato, com 210 pontos - o campeão antecipado tem agora 324. Enquanto isso, Alonso terminou em segundo lugar e, com 202 pontos, mostrou que vai brigar nas últimas quatro etapas para conquistar o vice-campeonato mundial.
A corrida em Suzuka não foi boa para os brasileiros. Felipe Massa largou em quarto lugar com a sua Ferrari e sonhava com pódio, mas passou longe disso. Na 22ª volta, ele chegou a se envolver em novo acidente com o inglês Lewis Hamilton (McLaren), assim como já tinha acontecido na etapa anterior, em Cingapura. Dessa vez, porém, não houve punição para nenhum dos dois pilotos.
Assim, Massa terminou o GP do Japão apenas na sétima colocação. Os outros dois pilotos brasileiros tiveram uma participação discreta na corrida: Bruno Senna ficou na 16ª posição com a Renault, enquanto Rubens Barrichello conseguiu o 17º lugar com a Williams.
Inspirado por Schumacher, Vettel faz história na F1
O alemão Sebastian Vettel nunca escondeu a idolatria pelo compatriota Michael Schumacher, de quem colecionava pôsteres durante a infância em Heppenheim, no sul da Alemanha. Neste domingo, no entanto, o antigo admirador reafirmou o status de ídolo e conseguiu algo que nem o heptacampeão Schumacher alcançou: sagrou-se o mais novo bicampeão mundial na história da Fórmula 1, com apenas 24 anos.
Esta conquista começou há muito tempo, quando Vettel, ainda criança, passou a participar de corridas de kart. Mas foi na adolescência que ocorreu um fato que mostrou sua qualidade e viria a ser decisivo para dar sequência à carreira de piloto. "Eu disputei uma corrida de kart no kartódromo de Michael (Schumacher), em Kerpen, e venci com pneus lisos quando chovia", conta o alemão.
E foi justamente o heptacampeão Schumacher, hoje adversário de Vettel na Fórmula 1, que tomou a iniciativa de apresentá-lo a Gerhard Noach, o mesmo empresário que o ajudou no começo de carreira. "Meu pai trabalhava e era Gerhard quem passou a me acompanhar nas corridas de kart", lembra o atual piloto da Red Bull.
Na prova de Kerpen, Vettel quase teve o desempenho prejudicado por causa da idolatria à Ferrari de Schumacher. "Eu era fã de Michael e da Ferrari, usava regularmente o boné de Michael. Quando alinhei o kart e depois parei no grid, tirei o capacete e pedi o boné. Mas logo em seguida recebemos ordem para iniciarmos a volta de apresentação", revela. Ele, então, tirou o boné e, sem saber o que fazer, colocou no banco, vestiu o capacete e correu assim. "Aquele volume incomodou bastante no começo."
Apesar do fanatismo pela escuderia italiana, Vettel veio a brilhar justamente pela equipe que, ao lado da McLaren, impediu a hegemonia da Ferrari nos últimos anos. Antes mesmo de se tornar piloto da Red Bull, a empresa austríaca já estava investindo no futuro do piloto. "Apoiamos Sebastian desde a Fórmula BMW, depois Fórmula 3 Europeia e a World Series. É um dos nossos maiores talentos", afirma Helmuth Marko, responsável pelo programa de formação de jovens talentos do time.
Vettel representa, talvez, o melhor resultado da estratégia agressiva da empresa, que passou a investir em diversas frentes esportivas nos últimos anos. Mas seu início na Fórmula 1 não aconteceu na escuderia. Ainda sem experiência, o piloto começou na Toro Rosso, uma espécie de "filial" pertencente à "matriz" Red Bull. E foi justamente nesta equipe que ele conseguiu sua primeira vitória.
Ainda sem figurar entre os principais pilotos da categoria, Vettel tinha apenas 21 anos quando venceu o conturbado GP da Itália de 2008, disputado sob forte chuva, tornando-se o mais jovem a ganhar uma prova na história da categoria. O desempenho chamou a atenção da Red Bull, que apostou em sua contratação, no ano seguinte, para tornar-se a principal equipe da Fórmula 1.
Desde então, o alemão firmou-se definitivamente como um dos principais nomes do automobilismo mundial, o que pôde ser comprovado com o título antecipado deste ano, quando teve amplo domínio sobre os adversários e chegou ao bicampeonato. Agora, se mantiver o rendimento nas próximas temporadas, Vettel terá a chance de se consolidar como um dos maiores pilotos na história da categoria, igualando-se finalmente a seu ídolo Schumacher, que é dono do recorde de sete títulos da Fórmula 1.
Confira a classificação final da prova:
1) Jenson Button (ING/McLaren)
2) Fernando Alonso (ESP/Ferrari)
3) Sebastian Vettel (ALE/Red Bull)
4) Mark Webber (AUS/Red Bull)
5) Lewis Hamilton (ING/McLaren)
6) Michael Schumacher (ALE/Mercedes)
7) Felipe Massa (BRA/Ferrari)
8) Sergio Perez (MEX/Sauber)
9) Vitaly Petrov (RUS/Renault)
10) Nico Rosberg (ALE/Mercedes)
11) Adrian Sutil (ALE/Force India)
12) Paul di Resta (ESC/Force India)
13) Kamui Kobayashi (JAP/Sauber)
14) Pastor Maldonado (VEN/Williams)
15) Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso)
16) Bruno Senna (BRA/Renault)
17) Rubens Barrichello (BRA/Williams)
18) Heikki Kovalainen (FIN/Lotus)
19) Jarno Trulli (ITA/Lotus)
20) Timo Glock (ALE/Virgin)
21) Jerome d''Ambrosio (BEL/Virgin)
22) Daniel Ricciardo (AUS/Hispania)
23) Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania)
Não completou a prova:
Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso)