Os exemplos abundam: Sorondo, Rodrigo, Fábio Rochemback, Christian, Fábio Pinto, Gavilán, Tinga, Bustos, Rubens Cardoso. A possibilidade de contratação pelo Grêmio do ídolo colorado Rafael Sobis e do volante Sandro Silva reacendeu o debate no Estado. A situação mais delicada é do atacante, que foi uma figura importante na conquista da Libertadores de 2006. Por isso, para o torcedor do Inter é estranho imaginá-lo de azul, embora o pai de Sobis queira vê-lo no estádio Olímpico.
Nos anos 1990, Mauro Galvão viveu a experiência de conhecer o outro lado da maior rivalidade gaúcha. Revelado para o futebol no Beira-Rio, o zagueiro voltou a Porto Alegre 10 anos depois de deixar o clube. A rejeição, segundo ele, foi inevitável. “Isso aconteceu comigo e não é uma coisa tão simples. Acho que o jogador consegue superar com o tempo, jogando o que o pessoal espera. Quando fui para o Grêmio, tive que vencer algumas barreiras”, lembra.
Galvão havia começado a carreira na escolinha do Tricolor, 11 anos. Aos 15, se transferiu para as categorias de base do Inter, clube que defendeu até os 25 anos. Uma década depois, ficou com saudade da terra natal. “Eu estava no Lugano, da Suíça, e tinha mais um ano de contrato. Mas não aguentava mais aquilo, já estava há 10 anos longe de Porto Alegre. Conversei com a direção do Grêmio, com o (Fábio) Koff. Depois, falei com o Felipão também. O Grêmio estava com uma base boa, com um grupo estruturado e isso me chamou atenção na época”, recorda.
Mário Sérgio recebe a faixa de um com a camisa de outro
Já o ex-meia Mário Sérgio ostenta ter conquistado os principais títulos da dupla Gre-Nal. Após ser campeão invicto do Campeonato Brasileiro de 79 pelo Inter, ele foi um dos protagonistas do time que levantou o troféu do Mundial Interclubes pelo Grêmio, em 83. Depois, ele voltou para o Beira-Rio. Um fato curioso é lembrado por Mário Sérgio após a conquista da competição mundial.
“Tenho muito orgulho dessa transferência. Estava emprestado ao Grêmio para jogar o Mundial. Mas, não sei qual foi o motivo, o Grêmio não comprou meu passe. Teve uma festa no Olímpico, chamada de entrega das faixas e recebi a minha faixa do Mundial com a camisa do Inter. Mas não teve nenhum problema. As duas torcidas aplaudiram”,
A dica de Mário para superar as críticas não é muito fácil de ser seguida. Para ele, só a conquista de um título apaga a passagem anterior pela equipe rival. “O que vale muito neste momento é o título. Acho que é uma situação tão difícil como participar de um movimento e ir para o outro lado. A minha história no Rio Grande do Sul é muito honrosa e tive a sorte dessas conquistas. Foi um grande feito tanto no Inter, quanto no Grêmio”, comentou.
No entanto, o ex-meia avalia que atuar por times rivais está sendo visto com mais naturalidade pelos torcedores nos últimos anos, pois os jogadores não criam tanto vínculo com os clubes. “É outro contexto. O jogador tem outra visão da coisa. Na nossa época, era mais de apego ao clube, hoje a coisa é mais profissional. Na minha época, por exemplo, não tinha isso de beijar o escudo do clube. Agora, o cara mal veste a camisa e já dá beijo no escudo”.
O torcedor quer ver em campo o profissional se empenhando, acredita Mauro Galvão. De acordo com ele, a identificação do atleta com o time não é mais importante que o seu desempenho contra os adversários: “O jogador é profissional. Embora esteja identificado pelo Inter, como o Sobis, o que importa é que ele está no mercado. E a torcida espera o profissional acima de tudo. Interessa é o jogador atuar bem e não se ele foi isso ou aquilo”, ponderou o ex-zagueiro.
Citado por Odone, Casemiro diz que transferência para time rival é natural
Ouvido sobre o caso de 24 anos atrás, Casemiro conta que a transferência para o Colorado ocorreu devido à falta de interesse do Tricolor pela renovação do seu vínculo, em 1988. “O clube não demonstrou interesse em 1987. Quando surgiu a notícia que eu podia ir para o Inter, o clube se manifestou, mas já era tarde”, relembra.
Por se tratar de um jogador criado no Olímpico e com vários anos de atuação no time profissional, a transferência não foi bem vista na época. “A torcida não esperava minha saída e pressionou a direção do Grêmio, que tentou negociar. Mas daí já era tarde demais, tinha tudo encaminhado com o Inter”, avaliou.
Naquele momento, Casemiro afirma que optou por uma postura profissional. “Estava comprometido com o Inter e o profissionalismo fala mais alto nessa hora. Fui muito bem recebido no Inter, pela direção, colegas e comissão técnica”.