O Tá na Mesa desta semana abordou nesta quarta-feira o crescimento do número de apostas no Brasil. De acordo com o presidente da Federasul, Rodrigou Sousa Costa, o vício em jogos tem sido um problema crescente no Brasil em termos exponenciais e já se tornou questão de saúde pública que não pode ser ignorado.
Com o tema “Jogos Eletrônicos - Vícios em um mundo digital” os especialistas que debateram o assunto consideraram a necessidade urgente da regulamentação da tributação e ações de prevenção para evitar impactos tanto na saúde como no consumo, causado pela perda de renda devido as apostas on-line.
Segundo dados da pesquisa do Itaú, apresentados pelo economista chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL Porto Alegre), Oscar Frank, 24 milhões de pessoas devem fazer apostas neste ano no Brasil, com uma projeção de R$ 150 bilhões. Para 2028 a evasão das apostas pode chegar a R$ 700 bilhões. Frank considerou uma epidemia. O estudo também revela que a maioria dos apostadores pertence às classes sociais mais baixas (C, D e E), incluindo aproximadamente 9 milhões de beneficiários do Bolsa Família, que apostaram mais de R$ 10 bilhões.
O doutor em psiquiatria, especialista em dependência química e diretor da Villa Janus, Carlos Salgado considerou os novos desdobramentos comportamentais e destacou que os jogadores compulsivos refletem na saúde pública. Ele enfatizou que, embora nem todos os jogadores enfrentem dificuldades, uma parte significativa pode sobrecarregar o sistema de saúde. “O SUS vai pagar caro demais”, considerou.
Salgado destacou que o jogo pode levar a complicações financeiras e familiares, especialmente em casos de compulsão. O especialista também mencionou que o jogo on-line apresenta novos desafios, tornando difícil o controle e a regulação. Ele ressaltou a importância de cautela em relação a comportamentos repetitivos que possam se tornar patológicos.
O presidente da Federação Gaúcha do Varejo, Vilson Noer lembrou que atualmente no Brasil são 308 plataformas de jogos, e que o crescimento das apostas está afetando o consumo em setores como alimentos e vestuário, desviando renda que poderia ser usada para compras essenciais.
Noer apresentou dados que destacam que mais de 1,3 milhões de pessoas estão inadimplentes devido as apostas e mais de R$ 68 bilhões já foram gastos até agosto deste. A previsão do prejuízo anual para o varejo e negócio gira entorno de R$ 117 bilhões. Ele enfatizou que o setor de varejo não é contra as plataformas de jogos, mas enfatiza que elas deveriam ser fortemente tributadas, como ocorre com produtos como cigarro e bebidas alcoólicas. Ele ainda considerou que as indústrias tabagistas e cervejeiras geram empregos e produção, ao contrário das plataformas de apostas.